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Fibra ótica também é um caminho possível

A adesão à fibra ótica em redes de Cidades Digitais é cada vez maior, não só para montar o backbone por meio de anéis óticos, mas também para levar as redes de fibra diretamente para os órgãos públicos e até as casas. Quem garante é Nelson Saito, responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento e Novos Negócios da Furukawa, empresa especializada em redes de fibras óticas que há 25 anos atua no Brasil. "De maneira geral, as municipalidades procuram soluções óticas de conectividades entre suas diversas unidades, com redes externas de cabos óticos", revela Saito.

Redes óticas não vinham sendo a escolha mais comum dos projetos municipais de digitalização, com as redes sem fio dominando as iniciativas. A noção geral é de que as tecnologias wireless têm implantação mais rápida e fácil, ao não demandarem quase nenhuma infraestrutura física, o que também as tornaria mais baratas. "Mas o conceito de que o cabo ótico é caro já morreu", garante Saito.

Segundo ele, a principal razão para isso é o modelo que vem se adotando para instalar redes de fibra: antes, costumava-se optar por construir dutos subterrâneos para a passagem da fibra. Atualmente, tem-se usado com frequência a infraestrutura já presente de postes de luz, gás ou telefonia. Assim, o problema da rapidez e dos custos desaparece ou fica minimizado. "Rede subterrânea é cara. Mas quando se usa a infraestrutura de postes já existentes, tem-se menos problema", resume.  Outra razão para a fibra ótica não ser tão presente em projetos de digitalização, segundo Saito, era a pouca informação em relação às soluções óticas, o que também estaria mudando, e a fibra ótica viria crescendo como alternativa viável para Cidades Digitais.

Com esta mudança nos padrões, os equipamentos da Furukawa têm sido procurados para montar redes óticas municipais. Entre as soluções de cabeamentos disponíveis, há a FisaFlex, a TeraLan, a GigaLan, a MultiLan, a FisaAcesso e a PatchView, cada uma com diferentes configurações que conjugam voz, dados e imagens.

Saito diz que a opção por fibra é, na maioria das vezes, para a montagem do backbone municipal ou para o que classifica como "prefeitura digital". Esta seria a conexão entre os órgãos da administração direta e a infraestrutura para digitalização de processos internos, diferentemente da Cidade Digital, que seria isso e mais a conexão entre escolas, postos de saúde, telecentros, hotspots, conectividade na casa das pessoas, etc.

A venda para os municípios não é feita diretamente pela Furukawa, mas sim através dos 200 integradores e 35 distribuidores existentes no país, especialmente aqueles que já estão se especializando nesse mercado. Foi o que aconteceu, exemplo, no município de Itatiba, no interior de São Paulo, que encontrou na fibra da Furukawa a solução ideal. A instalação e o suporte ficaram a cargo do integrador local Multiway. A cidade construiu um anel ótico com extensão de nove quilômetros, a fim de implantar um sistema de monitoramento com câmeras IP, para segurança em suas unidades administrativas, nas escolas e nos postos de saúde.

"O índice de violência caiu a quase zero depois de instalado o sistema", garante Saito, citando informações da prefeitura da Itatiba. Segundo o executivo, a fibra era necessária no sistema, pois redes wireless não comportam algumas aplicações, principalmente na área de segurança, onde se usam câmeras de alta definição. "É possível ver o rosto de uma pessoa ou uma placa adulterada", conta Saito.

Em Cambuí, cidade com 25 mil habitantes no interior de Minas Gerais, o provedor de acesso à internet Micropic instalou, com cabos da Furukawa, uma rede FTTH, ou seja, uma rede de fiber to the home (do inglês, fibra até a casa). Para Saito, isso é um sinal de que as pessoas estão começando a acreditar − e a demonstrar − que o modelo de fibra também vale para cidades de pequeno porte. "Um modelo como esse é parte do conceito de Cidade Digital. Mesmo em cidade pequena, existe demanda", avalia.

Data: 21 de setembro de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar

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