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Fibra ótica ou wireless: qual o melhor custo-benefício?

Cathy Horton (*)

A fibra ótica para casa (FttH, na sigla em inglês) é uma fabulosa solução de banda larga tanto para consumidores quanto para empresas. No mundo perfeito, todos deveriam adotá-la. Infelizmente, porém, a fibra ótica é cara e leva tempo para ser instalada. A cobertura de grandes áreas com FttH requer muitos investimentos em mão-de-obra, fibra e equipamentos eletrônicos.

A rede sem fio, por outro lado, pode ser desenhada e desenvolvida para qualquer tipo de largura de banda. Melhor performance é igual a mais dinheiro, então o custo é sempre um ponto a ser considerado no estudo de viabilidade.

A banda larga sem fio aparece de diversas formas, licenciadas e não-licenciadas. Por licenciadas, entende-se que você possui uma freqüência que demanda autorização de uso para sua área geográfica. Para banda larga, geralmente ela é de 2.5 GHz. Esse espectro está sendo comercializado por grandes empresas como Clearwire e Sprint. Elas irão vendê-lo usando soluções fixas e móveis, utilizando tecnologias do tipo Wimax (o Wimax já está disponível tecnicamente, apesar de muito caro no momento em que escrevo este artigo, principalmente pelos equipamentos centralizados de celular necessários).

Há um grupo de estudos do IEEE [Institute of Electrical and Electronics Engineers – Instituto de Engenharia Elétrica e Eletrônica, organização norte-americana que certifica padrões na área] analisando as tecnologias Wimax para garantir a interoperabilidade entre as diferentes redes. O padrão atual é o IEEE 802.16, e o 802.16E está sendo organizado.

O Wimax 802.16E está atraindo tecnologias competitivas como LTE [Long Term Evolution – evolução a longo prazo] e HSPDA [High speed Packet Downlink Access- pacote de acesso de link em alta velocidade]. A Intel, aliás, está apoiando ambas tecnologias, portanto assegurando que ao menos uma seja vencedora.

A EVDO (Evolution Data Optimized) é comumente usada para placas de PC. Ela opera geralmente, mas não somente, na freqüência de 400 a 900 MHz de celular e é boa para download em até 1 Mbps. Porém, não é viável para grandes operações comerciais. Há outras tecnologias que dão acesso em alta velocidade ponto-a-ponto e ponto-a-multiponto capazes de atingir velocidades de até 1 Gbps, mas elas são muito caras e demandam uma engenharia muito especializada.

No lado que dispensa licenças, qualquer um pode operar nas freqüências de 900 MHz, 2.4 GHz, 5.2 GHz, 5.7 GHz e 5.8 GHz. É aqui que começa o verdadeiro “pulo do gato”. Os equipamentos nessas freqüências são capazes de oferecer velocidades de até 10 Mbps para empresas. Compare isso ao 1.5 Mbps que as companhias telefônicas oferecem via T1 ao custo de US$ 400 a US$ 700 por mês.

Uma regra geral de instalação dessas redes é que distâncias maiores requerem menores freqüências e, portanto, carregam menos dados. Distâncias menores permitem freqüências mais altas, logo, mais dados. Freqüências mais baixas podem atravessar árvores e construções; as mais altas, não. Eu costumo usar uma medida de cobertura de 3,2 quilômetros a partir de uma antena de cinco metros de altura em um terreno razoavelmente plano. Links de backhaul ponto-a-ponto de até 64 km carregando 50 Mbps não são raros, mas, novamente, isso depende da engenharia, dos obstáculos de terrenos e dos ruídos presentes.

Áreas montanhosas nem sempre são algo ruim, pois um ponto de transmissão pode estar num lado pouco populoso da montanha e atingir facilmente o outro lado, mais populoso. Além disso, áreas rurais, ao contrário de cidades, tendem a ter baixo nível de interferência, logo, grandes distâncias e ultrapassagens de obstáculos são facilmente obtidas.

Em resumo, uma rede sem fio provavelmente é capaz de expandir o alcance do sinal até para outras cidades. Centenas de cidades já descobriram isso. E como lembra nosso chefe de tecnologia John Herraghty, o mundo sem fio se expande rapidamente e pode oferecer às cidades excelentes oportunidades de conexão a baixo custo. As empresas atuantes no mercado não são pequenas e, com certeza, seus investimentos diminuirão ainda mais os custos das futuras redes sem fio.

(*) Cathy Horton é fundadora do Beta Strategy Group, empresa norte-americana de consultoria que estimula inovação em diversas áreas. Ela escreveu este artigo após comparecer a um evento de telecomunicações nos EUA no qual muitos prefeitos discutiam a melhor forma de oferecer banda larga a seus moradores a baixo custo.

O artigo foi publicado originalmente no site MuniWireless.com, que desde 2003 cobre experiências de oferta de acesso sem fio à internet nos EUA e outros países, além de dar espaço para a cobertura do uso das tecnologias da informação e comunicação ao redor do mundo. A reprodução do conteúdo foi autorizada pela direção do site.


Clique aqui para ler o original em inglês.

Data: 26 de junho de 2008

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