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Fibra ótica é opção viável para infovias municipais

Quando foi inventada, em 1952, a fibra ótica revolucionou por representar uma nova e moderna forma de transmissão de dados. O inventor, o físico indiano Narinder Singh Kapany, consolidou o conhecimento científico que vinha se acumulando nas décadas anteriores sobre transmissão de imagens e luz por dutos e criou uma tecnologia nova e então promissora.

Hoje, a fibra ainda revoluciona. Desta vez, a mudança é na forma como pessoas e municípios se conectam à internet. Antes vista como cara e de difícil instalação, a fibra perdeu este estigma e vem se consolidando como opção viável e rápida de infovias municipais mais robustas e, ao mesmo tempo, mais duradouras. A chamada fiber to the home (FTTH), ou seja, fibra até a casa, vem tomando espaços nos projetos municipais de Cidades Digitais.

Segundo o estudo "Municipal Fiber to the Home Deployments 2009: Next Generation Broadband as a Municipal Utility" [Implantação de Fibra até a Casa em 2009: banda larga de nova geração como uma utilidade municipal, em tradução livre], nos Estados Unidos (EUA), muitos governos estão assumindo a responsabilidade de instalar redes de fibra. "Da mesma forma como no passado construíram estradas, redes de esgoto e sistemas elétricos", compara a pesquisa, encomendada pelo FTTH Council, organização internacional que reúne fabricantes e provedores de serviços na área.

Em outubro de 2009, havia nos EUA 57 provedores públicos operando sistemas de FTTH, representando mais de 85 cidades (muitas se unem em consórcios para instalar a tecnologia em conjunto, contratando um mesmo provedor). O FTTH Council estima que, em 2011, quase um quarto dos domicílios dos EUA tenham fibra instalada.

Segundo dados internacionais, nos EUA há 6 milhões de assinantes de fibra até a casa. Os números são maiores ainda em países asiáticos. No Japão, há 16 milhões, número de assinantes maior que redes ADSL e de TV a cabo. China, Cingapura e Coreia também estão no topo da lista – o último tem um dos maiores níveis de penetração da fibra. No mercado europeu, são cerca de 5 milhões de assinantes. No mundo todo, eles somam aproximadamente 42 milhões.

Fibra no Brasil

Municípios e Estados no Brasil também vêm crescentemente utilizando a fibra para compor suas infraestruturas de banda larga, que contam com pontos-chave dos quais o sinal de internet é retransmitido diretamente para os usuários finais – órgãos públicos como secretarias, escolas, postos de saúde, etc.

É o que acontece, por exemplo, em Porto Alegre (RS), pioneira neste modelo. Na capital gaúcha, um anel de fibra ótica perpassa bairros da cidade, abarcando o perímetro urbano. Em alguns pontos-chave, o sinal de internet "sai" da rede de fibra e é transformado em sinal sem fio, sendo retransmitido por radiofrequência para os bairros ao redor. O Estado do Ceará é outro que vem adotando a mesma ideia, no seu Cinturão Digital.

"A aplicação de fibras em prefeituras digitais e em Cidades Digitais é uma realidade", sentencia Nelson Saito, presidente do capítulo América Latina do FTTH Council e diretor do Departamento Técnico FTTx da Furukawa, empresa especializadano segmento de fibras óticas. Segundo ele, a fibra é utilizada largamente nos backbones (as infraestruturas principais e mais robustas) e na conexão dos principais pontos da municipalidade.

Para Saito, um dos principais impulsos para a popularização da fibra é o fator preço. "Ele foi impeditivo no passado. Hoje não existe mais", avalia. Isso se deu pois cada vez mais a fibra tem sido instalada em postes, e não em dutos subterrâneos, que demandam obras – caras e vagarosas. "É muito raro haver legislação municipal que obrigue a fazer rede subterrânea. Noventa e nove por cento dos municípios permitem uso em poste, ou seja, aéreo, que é rápido e barato de instalar", diz Saito.

Paulo Curado, gerente de Tecnologia da Planta Óptica do CPqD, defende a instalação aérea das fibras e diz que a tendência é optar primeiro pelos postes, pela economia de tempo e dinheiro. Além disso, o cabo é mais leve e fino, indica Curado. Assim, o mesmo espaço requerido para passar um cabo metálico comporta dois ou três cabos de fibras. "Por ele ser menor, a técnica de implantação, por microdutos, demanda menos espaço que o metal. A própria constituição do cabo faz com que fique fácil passá-lo. É possível montar uma rede mais robusta, com menos falhas, o que diminui custos de operação", avalia o gerente do CPqD.

Os inconvenientes da instalação da fibra em postes são o fato de ela ficar mais exposta e suscetível a danos e o pagamento por direito de passagem (ou seja, para usar os dutos e postes das concessionárias de energia elétrica, usualmente, as detentoras das redes de postes), que costuma influenciar mais fortemente o fator preço.

Outro progresso que concorre para a maior adoção da fibra é a maior facilidade de encontrar mão de obra e prestadoras de serviços especializadas. "Pequenas operadoras de algumas cidades estão procurando conhecer tecnologia. É uma tecnologia na qual só se investe uma vez", diz Curado. "Essas empresas – provedoras de internet – fazem fibra até a casa e também vendem para prefeituras", completa Saito.

Mas a maior vantagem do uso da fibra é a sua alta capacidade de transmissão de dados. "Na hora de comparar, a fibra continua com melhor desempenho", diz Curado. "É um investimento de mais longo prazo", diz. Para ele, redes metálicas e wireless se desenvolveram rapidamente, mas estão chegando a seus limites. E a fibra tem um limite muito superior. As redes de fibra permitem banda de internet na ordem de 30 a 100 Mbps, ao passo que as redes por tecnologia sem fio não comportam essas velocidades, ficando na faixa de menos de uma dezena de Mbps.

As maiores aplicações para as redes de fibra, além dos já citados backbones, são as relacionadas à transmissão de vídeo. Nas casas, os cidadãos buscam fibra para transmissão de TV em alta definição. Nos municípios, usam principalmente para comportar seus sistemas de monitoramento por câmeras de segurança. Para Saito, esta é uma aplicação para a qual outras tecnologias não dão uma possibilidade pronta pra transmitir grandes volumes de dados.

"Em cidades pequenas de 10 mil habitantes no interior de São Paulo isso já é um fato", diz o representante do FTTH Council. "São utilizadas câmeras de segurança que permitem visualização à distância relativamente grande, com a possibilidade de identificar rosto e placa adulterada", completa Saito.

Futuro

Mesmo com a maior facilidade de adoção e o progresso da fibra no Brasil, ainda há obstáculos para o desenvolvimento da tecnologia. A principal delas pode estar na própria política pública que está sendo construída pelo Executivo desde o segundo semestre de 2009, o Plano Nacional de Banda Larga. "O mundo já fala em ultra banda larga, e o Brasil ainda fala no plano de banda larga", lamenta Saito.

A Austrália já anunciou sua intenção de fazer um plano nacional de ultra banda larga, em um processo que, estima-se, vai consumir U$ 30 bilhões. “O Brasil está cinco anos atrasado. Os países da Europa, sem exceção, já falam em fibra para chegar aos ambientes rurais. No Brasil, a fibra serve para os provedores de internet”, critica Saito. Para ele, a banda larga deveria ser planejada para prever aumento de demanda – a partir do momento em que chegar a novas cidades, gera novas demandas – e para concretizar uma banda de internet efetivamente rápida. “Nenhum país fala em 128 Kbps como banda larga. A International Telecommunications Union (ITU) recomenda acima de 2 Mbps. Antes disso não é banda larga”, finaliza.

 

O que é fibra ótica

Fibra ótica é um filamento de vidro ou de materiais poliméricos com capacidade de transmitir luz. Tal filamento pode apresentar diâmetros variáveis, dependendo da aplicação, indo desde diâmetros ínfimos, da ordem de micrômetros (mais finos que um fio de cabelo) até vários milímetros.

As fibras óticas apresentam vantagens sobre os sistemas elétricos:

  • Dimensões reduzida;
  • Capacidade para transportar grandes quantidades de informação (dezenas de milhares de conversações num par de fibra);
  • Atenuação muito baixa, que permite grandes espaçamentos entre repetidores, com distância entre repetidores superiores a algumas centenas de quilômetros;
  • Imunidade às interferências eletromagnéticas;
  • Matéria prima muito abundante.

Fonte: Wikipedia

Data: 07 de janeiro de 2010
Autor: Maria Eduarda Mattar

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