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Ferramenta permite interação com cidadão por internet, quiosque ou celular
Uma interface única e completa de relacionamento com os cidadãos, que pode ser usada por meio dos mais diferentes canais − internet, quiosques, celulares. É isso que busca oferecer o framework multicanal, plataforma que a Unisys vem introduzindo no Brasil, voltada a aplicações de governo eletrônico. "A ferramenta dá visibilidade à política pública, desde o início de seu planejamento, até a implantação e a avaliação, ou seja, o que o cidadão acha dela e quais os retornos sociais que ele teve", explica o arquiteto sênior da Unisys, Severino Ferreira. "Para o governante, é uma maneira prática de implantar ações. Para o cidadão, dá acesso facilitado a recursos do governo", continua.
No Brasil, a ferramenta ainda vem sendo introduzida. Mas em outros países ela já é usada e mostra resultados. É o caso de Estados Unidos e Portugal. No país europeu, é feito o agendamento de piscinas públicas de forma integrada com o sistema de saúde, visando medicina preventiva. Nos EUA, a solução é usada em um condado inteiro no Estado de Kentucky, para agendamento de quadras e times nas comunidades de baixa renda. "Lá conseguiu-se uma economia de R$ 50 milhões por ano em atendimento ao cidadão", diz Ferreira. Em Portugal, onde a intenção era diminuir a quantidade de atendimentos presenciais, que causavam filas grandes nas repartições públicas diárias, houve redução de 50%, informa o arquiteto sênior da Unisys.
Além dos exemplos aplicados em Portugal e nos EUA, também são possibilidades de uso do sistema: agendamento de consultas, atendimento ambulatorial, de internados, acesso a informações de serviços de saúde, de medicina preventiva, agendamento de uso da escola por parte da comunidade, criação de times comunitários, histórico nas áreas de saúde, assistência social e educação, entre outras.
De acordo com o perfil dos municípios
A implantação da ferramenta pode ser feita de acordo com as necessidades das prefeituras. É feito um levantamento prévio, onde se identifica, por exemplo, que tipos de políticas podem ser implantadas naquela realidade, além de quais canais devem ser usados: a plataforma pode ser adaptada para uso em quiosques eletrônicos, telefone celular, de acordo com a intenção dos governos quanto à forma de relacionamento com o cidadão.
Já em uso, o framework multicanal unifica as formas de interação entre governos e cidadãos, através de um único canal. Para o cidadão, ajuda a garantir a memória da relação com o governo. Toda vez que a pessoa faz um agendamento de serviço por telefone ou utiliza um dos serviços do governo, fica registrado em seu histórico. Assim, facilita futuros atendimentos e a memória da informação.
No outro lado da ponta, os governos tendem a se beneficiar disso, pois, além de ficar registrada a informação de todos os atendimentos feitos, avalia-se a efetividade de cada tipo de atendimento e qual o reflexo nas políticas públicas. "Os governos veem o resultado de tudo: quais comunidades foram atendidas, quais escolas envolvidas, qual a utilização do recurso público pela comunidade. Ou seja, eles têm o resultado da política pública pensada. E o gestor público pode ir criando o que for necessário, para modificar ou melhorar", resume Ferreira.
Segundo ele, o fato de a plataforma permitir o uso de diferentes canais − quiosque, celular, internet etc. − é algo importante para uma realidade como a brasileira, em que há municípios com perfis muito diferenciados. "O computador tem uma camada de comunicações para tratar diversos tipos de acesso. Os servidores são os mesmos usados na prefeitura. Municípios que têm muito acesso à internet não precisam de quiosques, por exemplo", diz.
Ferreira considera que Cidades Digitais ainda são um conceito novo no Brasil e, por isso, as iniciativas acabam ficando centradas na implantação de internet, em garantir conectividade, dando mais atenção à parte de hardware. "Quando pensamos no conceito da Cidade Digital propriamente dita, com implantação de frameworks e-gov voltados a municípios, a cidadãos, vemos que ainda é uma coisa nova não só no Brasil como no mundo", opina.
Data: 08 de julho de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar