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Famurs apóia os municípios gaúchos rumo a um cenário digital

A Federação das Associações Municipais do Rio Grande do Sul (Famurs) tem, por si só, uma tarefa trabalhosa: articular e assessorar todas as cidades do Estado, o terceiro maior do Brasil em número de municípios. Isso se dá por meio de 25 associações regionais, que abrangem os 496 municípios gaúchos.Porém, desde o segundo semestre de 2006, a Famurs decidiu ir além e estimular a criação de Cidades Digitais. Foi quando surgiu o Programa Município Digital (Promund), que já identificou e abarcou 68 cidades, ou cerca de 14% do total.

O coordenador do projeto na Famurs, Alessandro Reis, explica que o fator motivador da criação do programa foi o resultado de um levantamento de dados realizado pela entidade. "O Rio Grande do Sul tem 83% dos municípios com até 10 mil habitantes. Destes, apenas 25% possuem serviço de acesso à internet, geralmente concentrado na zona de teledensidade alta", explica, referindo-se a áreas em que os serviços de telecomunicações são mais presentes.

"Como as companhias de telecomunicações e provedores realizam seus investimentos baseados em cálculos de retorno, estas localidades seriam atendidas apenas a longo prazo", completa. A partir desta constatação, a Famurs identificou que, apesar de não serem alvo atraente para as teles e para os provedores de internet, estas cidades tinham necessidade de interligar escolas, postos de saúde, prefeituras e demais órgãos municipais.

"Construímos o Promund, para, em duas etapas, atender esta demanda", diz Reis. A primeira etapa consiste em ajudar o município a construir sua rede sem fio, que normalmente visa conectar todos os pontos da administração municipal, escolas e postos de saúde, com a integração de dados. Já com uma disponibilidade de banda e rede estruturada, a segunda etapa tem por objetivo promover a inclusão digital de seus cidadãos, com a possibilidade de estabelecer um modelo sustentável para prefeitura.

Convencimento político e financiamento

O Promund fornece apoio no desenvolvimento do projeto e na capacitação técnica.  Além disso, em parceria com fabricante, "a Famurs disponibiliza site survey e colabora no convencimento político do prefeito para a execução do projeto", detalha Reis, relembrando que as cidades não têm de dar ao Promund nenhum tipo de contrapartida. "É este pensamento de contrapartida que até hoje cria entrave no desenvolvimento das Cidades Digitais. Mostrar os benefícios e convencer o prefeito de que isto é um investimento é o principal papel da Famurs", completa.

O Promund não financia diretamente os projetos de Cidades Digitais, mas dá apoio e treinamento para que os municípios consigam levantar a verba necessária. Por exemplo, fornece capacitação e desenvolvimento de projetos para linhas de financiamento de entidades como o Ministério das Comunicações. Uma outra possibilidade, informa Reis, é conseguir o financiamento que alguns fabricantes de equipamentos oferecem, desde que sejam atendidos determinados critérios. "E, atualmente, o Promund negocia uma parceria com um agente financeiro para disponibilizar aos municípios", completa o coordenador da iniciativa.

Apesar de a iniciativa ter nascido a partir da percepção das necessidades das pequenas cidades, Reis lembra que o programa não é voltado apenas para elas. "Temos alguns municípios maiores, como Viamão e Bento Gonçalves, em que estamos implantando projetos", reforça Reis. As cidades têm, respectivamente, 253 mil e 100 mil habitantes.

e-gov e VoIP

No que se refere a e-gov, a Famurs disponibiliza aos municípios algumas soluções, com foco nos sistemas de gestão dos órgãos municipais que, segundo Reis, envolvem um trabalho de médio e longo prazo. Fornecedores de softwares e equipamentos para os municípios têm que propiciar a integração de dados através de seus produtos. Caso contrário, serão excluídos dos processos, uma vez que prefeitos e técnicos estão sendo capacitados para exigir isto.

A tecnologia VoIP também está no alvo do Promund. "O objetivo de orientar o município e validar a construção da rede wireless com banda correta é para que o VoIP seja amplamente utilizado. Um município paga boa parte das inovações tecnológicas ao adotar esta tecnologia", acredita Reis.

Ainda em 2008, a meta é fazer o número de municípios participantes pular de 68 para 250. Treinamento das prefeituras nas áreas de tecnologia e dos educadores na utilização de todo o potencial das redes digitais também estão nos planos. Completa a lista de tarefas para este ano a intenção de viabilizar um modelo econômico, junto aos pequenos provedores de internet, para conferir sustentabilidade aos diferentes projetos.

As cidades gaúchas interessadas em participar do Promund podem entrar em contato com a Famurs, pelo telefone (51) 3230-3100 ou pelo email informatica@famurs.com.br.
   

Data: 27 de março de 2008

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