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EUA: banda larga chega a 90% da população, mas um terço não tem acesso
Presidente da FCC alerta para contradição e aponta desafios para a plena adoção da internet no país
Em fala no NCTA 2011, congresso anual de TV por assinatura dos EUA, o presidente da Federal Communications Comission (FCC), Julius Genachowski, apontou uma contradição do país no que se refere ao acesso à banda larga. Segundo o político, as redes de TV a cabo chegam a 93% das residências norte-americanas, com tecnologia capaz de, além de transmitir programação televisiva, ofertar internet de alta velocidade. No entanto, somente 67% dos habitantes dos Estados Unidos navegam na rede com rapidez.
Para Genachowski, é preciso emparelhar os números e assim chegar perto da meta do governo Barack Obama de conectar toda a população. “Como indústria, vocês conseguiram conectar dois terços dos americanos à banda larga – e os aplaudo por isso. Agora, vamos trabalhar juntos para conectar o último terço – quase 100 milhões de pessoas – de modo que todos os americanos possam participar plenamente do século XXI”, discursou para os executivos das redes de televisão. A falta de uso da internet por essa parcela da população faz os EUA perderem cerca de US$ 55 bilhões por ano em produtividade e oportunidades, de acordo com o político.
Pesquisas da FCC mostram que há três grandes causas para a disparidade nos percentuais de acesso: preço do serviço, falta de familiaridade com a tecnologia e desinteresse. A fim de resolver esses problemas, o órgão regulador dos serviços de telecomunicações, que também atua como planejador, pretende lançar ações que vão desde políticas educacionais a maior cobrança sobre as companhias de televisão a cabo para que elas ofereçam serviços mais baratos. Há ainda intenção de disponibilizar programas de código aberto para incentivar inovações e abrir mais informações governamentais à população. A gerência dessas atividades ficará a cargo de uma força-tarefa de promoção da banda larga subordinada à FCC. Ela será composta por uma equipe da própria comissão.
A FCC já enfrentou as empresas de televisão a cabo uma vez com a intenção de forçar a redução dos preços dos serviços de internet. No início do ano, para autorizar a compra da NBC Universal, uma das maiores redes de televisão dos EUA, pela Comcast, uma das maiores produtoras de vídeo e provedora de acesso à internet, a comissão exigiu contrapartidas de inclusão digital. Uma delas começa a ser implementada no segundo semestre de 2011 e conectará escolas frequentadas por alunos de baixa renda.
De acordo com a imprensa especializada, no entanto, o chamado à ação feito pela FCC não será atendido em breve. As empresas de TV a cabo, apesar de concordarem com a necessidade de aumentar a quantidade de pessoas com acesso à internet, temem queda no faturamento e a canibalização do mercado caso os preços caiam rapidamente. Para elas, a prioridade é antes entender como unir as duas mídias -TV e internet - na mesma plataforma de negócios.
Data: 20 de junho de 2011
Autor: Marcelo Medeiros