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Estratégia da alagoana Arapiraca é ter vários projetos em paralelo

Com mais de 200 mil habitantes, Arapiraca é a segunda maior cidade do Estado de Alagoas, ficando atrás apenas da capital, Maceió. Em termos de digitalização, no entanto, está na frente: começou o processo de se tornar uma Cidade Digital há aproximadamente cinco anos, quando a então recém-empossada administração municipal reuniu todos as secretarias e a prefeitura em um só prédio, criando um centro administrativo. 

À centralização física seguiu-se a centralização de rede e sistema, com a interconexão dos órgãos. "Como iria haver a integração física, começou-se a trabalhar também uma integração lógica", explica Lucas Leão, gestor de Tecnologia da Informação (TI) do projeto. Era o início do Arapiraca Digital, que hoje já se estende pelas áreas de Saúde, Educação, Financeira e Tributária, além de prever hotspots e um programa de financiamento de laptops para professores.

Leão conta que a iniciativa se configura com muitos projetos em paralelo. A etapa de construir infraestrutura de conexão foi feita há dois anos. Equipamentos e softwares foram padronizados e montou-se equipe de tecnologia da informação. A opção de software foi o e-Cidade, do qual foram instalados os sistemas tributário, de recursos humanos e de protocolo. Atualmente está sendo implantado o módulo de licitação, compras, estoque e patrimônio.  "O sistema já está configurado no servidor, e as secretarias estão alocando comissões para iniciar os treinamentos no processo de compras", conta Leão. Até o fim do ano, o módulo contábil e financeiro também estará instalado.

Uma das áreas mais adiantadas é a da Saúde, que já havia sido informatizada na gestão anterior (antes de 2005). Todos os 40 postos de saúde estão informatizados e com acesso à internet, inclusive os da zona rural. A marcação de exames e consultas é feita online, ou seja, a pessoa chega em um posto de saúde e pode marcar consulta ou exame para qualquer posto ou laboratório. Além disso, há controle de estoque de medicamentos para dispensação de material e controle de lote de remédios. Em breve, isso será integrado ao processo de compras, tão logo o módulo de licitação do e-Cidade esteja implementado.

Na área de Educação, a estratégia prevê duas linhas de ação: a informatização de escolas e do sistema municipal de ensino, com a adoção de um software educacional, e o financiamento de laptops para professores. A informatização e a conexão das escolas já começou: em 12 escolas a conexão à internet já chega através do programa Banda Largas nas Escolas, lançado no ano passado pelo governo federal. Todas elas já têm laboratórios de informática. O i-Educar, software que consta no portal do software público, foi o escolhido para a gestão da rede escolar.

"Os dados foram migrados, foi feita a aquisição de computadores para todas as secretarias de escolas, e a matrícula em 2010 já vai ser informatizada. Ou seja, muda o processo manual, as pessoas não têm mais que preencher formulários em papel. E, acima de tudo, haverá um banco de dados único. O histórico do aluno vai estar no sistema. Se ele mudar de escola, é só puxar os dados do sistema", conta Leão.

Haverá uma área restrita para que os pais possam ver boletins e acessar as informações sobre os filhos. Os próprios professores digitam as notas, facilitando inclusive o processo para quando for realizado o EducaCenso, do Ministério da Educação (MEC).

Neste processo de digitação das notas, foi identificado um gargalo: havia uma certa "concorrência" entre professor e alunos para uso dos computadores nos laboratórios de informática das escolas. Percebendo isso, a prefeitura tentou facilitar o processo e criou a opção de financiamento para a compra de 1.800 notebooks por parte dos professores. A prefeitura arca com metade do valor do computador, mais os juros do financiamento. O professor paga 24 parcelas de R$ 37,50. O projeto foi lançado há pouco menos de cinco meses. Segundo Leão, 280 professores já aderiram [as adesões podem ser acompanhadas em http://educacao.arapiraca.al.gov.br/redeeducar].

http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/dicionario/A

Para montar uma infovia na cidade, a fim de conectar as unidades fora do centro administrativo, a prefeitura vem optando por não implementar ela própria a infovia, mas sim contratar o serviço de empresas especializadas. A estratégia já é adotada atualmente, por exemplo, para a conexão dos postos de saúde. "Para a conexão dos 40 postos de saúde, gasta-se R$ 12 mil para manutenção da internet", conta Leão.

A mesma opção será feita para a criação da infovia municipal, da conexão das escolas ainda sem banda larga e dos dois hotspots previstos. Nestes, que serão localizados no balneário do Lago da Perucaba e no parque Ceci Cunha, será liberada uma banda mínima de 128 Kbps para os cidadãos. O acesso será feito mediante um cadastro. A prefeitura já está licitando a implementação e a administração dos hotspots.

"A intenção é fazer com que o custo de manutenção da rede não seja da prefeitura, como acontece em muitas cidades, que investem muitos recursos e depois não conseguem manter", explica Leão. “Licitamos os pontos e a necessidade de banda. Os fornecedores é que vão dimensionar o número de rádios e torres e a tecnologia que vão precisar para atender a isso. O que queremos é a velocidade da banda”, completa o gestor de TI.

O sinal virá da banda já contratada para a cidade, que dispõe de um total de 50 Mbps. A iniciativa privada vai poder explorar uma parcela disso, provendo serviços de acesso à internet. "Quem precisar de mais do que os 128 Kbps oferecidos nos hotspots, pode contratar da iniciativa privada, que vai poder explorar capacidades mais altas", complemente o gestor de TI.

No caso das 29 escolas que não receberam conexão do Banda Larga nas Escolas (geralmente as da área rural e as de difícil acesso), a prefeitura vai arcar com o custo da rede. Será comprado 1 Mbps de banda para o laboratório de cada escola, mais 256 Kbps para a secretaria. Nas escolas que têm a banda do governo, o município vai levar a internet somente para as secretarias (não provida pelo programa federal). A licitação já está em andamento e tem previsão de término em final de novembro. Para o total de escolas, a prefeitura estima gastar, entre pontos de laboratórios e secretarias, R$ 23 mil por mês.

Data: 19 de novembro de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar

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