Estância, no Sergipe, faz parceria com lan houses para inclusão digital
O município de Estância, de 62 mil habitantes, no interior de Sergipe, inovou em seu programa de promoção de acesso à internet. Ao invés de investir em telecentros, a prefeitura decidiu dar tíquetes de acesso à internet em lan houses. Com isso, conseguiu fomentar a economia local e estimular o estudo entre os jovens.
O objetivo foi baratear os custos do projeto e fomentar o comércio local ao mesmo tempo em que atendia a demanda de professores e alunos por espaços de uso de internet.
“Esse modelo de inclusão digital se deve ao fato do bom custo/benefício para todos os envolvidos: poder executivo, lan houses, alunos e professores”, afirma Carlos Júnior, secretário de Cultura, Juventude e Desporto de Estância, conhecida como o “jardim de Sergipe”.
“Vivemos na era da informação e através deste empreendimento a nossa juventude tem direito ao acesso à internet. Se levarmos em consideração que informação é poder, estamos em busca do ‘empoderamento’ social”, resume.
O projeto começou em agosto de 2009, quando a prefeitura, com apoio do Sebrae, deu cursos a donos de lan houses da cidade para que esses espaços pudessem se tornar locais de inclusão digital –ou Centros de Internet Popular de Estância (Cipes), como o poder municipal os batizou.
Ao todo, 22 das 23 lan houses vinculadas à associação local participaram das aulas. Além dos donos, professores das redes municipal e estadual foram capacitados em “educação digital”, ou seja, tiveram aulas de como o conteúdo da internet poderia auxiliar as aulas e os estudos dos alunos.
Terminada a capacitação, os alunos ganharam tíquetes que permitem o uso gratuito das lan houses. Segundo o acordo feito, os jovens somente podem apresentar o cupom de acesso fora do horário escolar e não podem estar uniformizados. A utilização das máquinas também é condicionada pela autorização dos responsáveis.
O ticket dá direito a seis horas de uso por mês. Por 60 minutos, a prefeitura paga às lan houses um real. Ou seja, cada aluno custa seis reais por mês à prefeitura. O valor recebido por cada espaço, portanto, varia, já que os estudantes podem escolher onde e quando acessar.
Outra regra é que apenas 20% do tempo de uso diário pode ser gasto com entretenimento. A maior parte do período em que o jovem estiver na lan house deve ser dedicada a pesquisas relacionadas à escola. O controle é feito por monitores, que visitam os centros de computadores regularmente para se certificarem de que o acordo está sendo cumprido e entrevistam os jovens.
Caso seja verificado desrespeito, o aluno e a lan house são advertidos. Se o problema persistir, pode haver descredenciamento do estabelecimento e perda do direito de uso da internet gratuita pelo estudante. O secretário de Cultura, no entanto, minimiza problemas. “Como a concorrência é muito grande, nenhuma lan house quer ser punida com a exclusão da sua microempresa deste projeto, por isso procuram sempre estar dentro das normas estabelecidas dentro do contrato”, garante.
De acordo com a prefeitura, o programa hoje engloba 22 das 44 lan houses do município e envolve 900 jovens.
A inclusão digital em Estância é feita também por meio de telecentros do governo federal e do próprio município. Contudo, o acesso em alguns desses locais é difícil. “O modelo de lan houses gera renda e estimula a legalização dos negócios, muitos deles informais”, aponta Manoel Messias, diretor de juventude de Estância.
Para o presidente da associação de lan houses da cidade, Adilson dos Santos, o programa trouxe outras vantagens para os estabelecimentos. “Fomentou nossa clientela e melhorou a imagem das lan houses perante a população. Hoje os pais já nos veem como um lugar seguro para seus filhos”, garante.
Segundo Manoel Messias, o projeto tem despertado a atenção de outras prefeituras. Além de serem chamados a falar sobre a experiência da cidade em audiência na Câmara sobre a regulamentação das lan houses em abril, representantes de Estância têm levado o programa para outras cidades. “Goiânia e o governo do estado já vieram aqui conhecer o que fizemos, pois têm interesse de fazer algo do gênero”, comemora.
Data: 19 de abril de 2010
Autor: Marcelo Medeiros