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Estados digitais e PNBL: como governos estaduais pensam a integração

Mas como isso vai ser na prática ainda não está definido. "Não se chegou a um detalhamento de como vai ser operacionalizado o plano nacional. O que existe é uma política que conduz a ampliar a oferta de banda larga para populações carentes", avalia Julio Lagun, subsecretario de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela área de inclusão digital da secretaria. No estado, o projeto começou há cerca de dois anos, com o foco em capacitação profissional. "Nosso projeto é de inclusão digital e capacitação. A banda larga é uma extensão da responsabilidade de capacitação profissionalizante, para dar mais capilaridade ao processo educacional", diz Lagun.

Ele acredita que a iniciativa federal e as estaduais podem ser complementares. O mesmo acredita o diretor de Logística e Tecnologia do Governo do Estado de Minas Gerais, José Oswaldo Albergaria. Segundo ele, o projeto de Minas conta com o renascimento da Telebrás para que possa ser expandindo. Originalmente, o projeto consiste na facilitação da chegada de conexão aos municípios por parte do governo estadual, que negociou preços menores com as operadoras e paga pela banda.

"Nosso projeto já contempla backhaul ligando a cidade ao POP [ponto de presença] da operadora mais próxima ao município. Se fibras forem disponibilizadas, melhor. Não há sobreposição de papeis. Quanto maior a oferta de link, menor preço do serviço", avalia Albergaria. Inicialmente, apenas 173 dos 853 municípios mineiros foram escolhidos para receber o projeto. Assim, fica ainda mais clara a não superposição de papeis. "O PNBL vai conectar 100 cidades no Brasil todo. Só no nosso projeto dentro de MG, temos que levar conexão para 173 cidades. As cidades que seriam contempladas pelo governo federal não vão cobrir toda a necessidade do Estado", pondera Albergaria.

Das 173 cidades previstas para receber conexão na iniciativa mineira, 140 municípios já têm pré-projeto pronto. Os outros 33 estão sendo elaborados. Quando passar o período eleitoral, será feita a contratação de equipamentos e serviços para colocar tudo em prática, independente da chegada ou não do backbone nacional.

No Pará, a avaliação sobre complementariedade de iniciativas é a mesma. "Na verdade, vamos nos conectar à rede nacional, mas sem prejuízo às nossas atividades normais. Uma rede não compete com a outra, elas se complementarão", diz Jorge Souza, diretor de Clientes e Mercado da Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa).

No Estado nortista, um dos primeiros a apostar no uso das fibras das redes elétricas para transmissão de internet, o projeto consiste em levar banda larga aos municípios (usando as redes da Eletronorte), instalar infocentros (centros gratuitos e públicos de acesso à internet) e infocentros de negócios, conectar escolas e oferecer acesso por meio de hotspots nas cidades. Segundo dados oficiais, mais de 2 milhões de paraenses já foram beneficiados, 108 já foram instalados e, até o final do ano, haverá outros 230. Além disso, há 42 hotspots funcionando e, até dezembro, pretende-se conectar 713 escolas, atendendo a 500 mil alunos.

No Rio, o projeto vai continuar no mesmo passo. Até agora, o projeto tem instalado banda larga sem fio em favelas (Santa Marta, Cidade de Deus, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Manguinhos e Rocinha), em algumas orlas (Copacabana e Ipanema) e ao longo de uma das principais vias de acesso ao Rio, a Avenida Brasil, beneficiando municípios de baixo poder aquisitivo da Baixada Fluminense.

"O governo federal está caindo da estratégia para a tática. Temos que sentar e ver como somar esforços. Isso vai ter que acontecer em todos os lugares e vai ser avaliado caso a caso. O governo federal está indo na mesma linha que a gente e que os outros Estados: dando um empurrãozinho para que as populações desses locais sejam incluídas digitalmente", avalia Lagun.

Data: 22 de julho de 2010
Autor: Maria Eduarda Mattar

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