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Estados digitais e inteligentes

Franklin Dias Coelho*

O Estado do Rio de Janeiro está implantando um programa pioneiro de backbone e rede de distribuição pública estadual que é pioneiro no País. A intenção é implantar uma infra-estrutura de transmissão de voz, dados e imagens em banda larga que permita a universalização do acesso à internet para todos os 92 municípios do Estado.

Um programa como esse não pode ser realizado isoladamente, sem a participação da gestão local. Por isso é fundamental a parceria com os municípios, para que estes possam ter uma opção de ampliação de sua capacidade de intervenção em políticas de infra-estrutura de comunicação digital e de programas de inclusão digital.

Com a possibilidade de acesso universal às redes digitais de informação e de novas formas de produção do conhecimento, um programa de abrangência estadual abre oportunidades de desenvolvimento local em todos os aspectos (produtivos, culturais e capacitação de recursos humanos) para novas formas de trabalho e emprego, permitindo o fortalecimento do capital humano e cognitivo de cada cidade. A inserção da população como agente na produção e gestão das novas formas de conhecimento é outra vantagem possível.

A rede estadual fluminense de transmissão de voz dados e imagem foi concebida em três módulos: backbone, rede de distribuição e rede de acesso. O desenho de rede foi trabalhado à semelhança de redes de infra-estrutura que exigem um suporte como uma espinha dorsal que cruza os municípios, um nível de distribuição que integra a última milha ao último metro – insinuando-se pelos distritos e bairros - e a rede Mesh, que integra a rede de distribuição com as redes locais.

A arquitetura de rede foi trabalhada de forma a atingir todas as localidades, e o Estado dividido em quinze regiões digitais. A primeira região a ser contemplada com o programa é a Baixada Fluminense, onde o projeto Baixada Digital cobrirá os 11 municípios [conheça mais a iniciativa aqui], significando um população de 3,5 milhões de pessoas e uma área de 2.255 quilômetros quadrados.

O fato de iniciar pela Baixada Digital é emblemático, pois assim privilegia-se uma efervescência cultural e social desta região que vem se consolidando desde os anos 90 do século passado. Levar para a Baixada Fluminense este projeto de inserção na sociedade da informação e do conhecimento integra um caminho de inovação tecnológica dos grandes programas estruturantes que vêm mudando o perfil da região.

A implantação desta plataforma tecnológica é apenas um meio para se constitua um grande projeto de um estado que se organiza com base no conceito de Cidades Digitais. A visão de municípios digitais implica processo de reorganização territorial que permite ao Estado avançar em sua real missão de promover políticas regionais de integração municipal, estruturando de forma ágil e transparente serviços de saúde e educação, integrando e disseminado a história e a cultura fluminense para o mundo.

Portanto, muito mais que um programa de infra-estrutura, ele deve ser um processo de mobilização política, econômica e social em que distintas instituições e empresas se integram num pacto territorial para transformar o Estado do Rio de Janeiro num estado digitalmente inteligente.


*Franklin Dias Coelho é professor da Universidade Federal Fluminense, coordenador de Piraí Digital e do Corredor Digital do Estado do Rio de Janeiro.

Data: 29 de abril de 2008

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