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Especialista sugere a criação de instituição de pesquisa e desenvolvimento com foco em internet

Em debate realizado em São Paulo, Ronaldo Lemos, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV), cobrou a criação de uma instituição que desenvolva tecnologias, softwares e políticas relacionadas à internet voltados para países em desenvolvimento

O Brasil deveria criar uma instituição de pesquisa e desenvolvimento avançados de tecnologias, softwares e políticas relacionadas à internet com foco em países em desenvolvimento para atender a demanda de cidadãos e governos por produtos voltados para sua realidade. A opinião é do coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, Ronaldo Lemos, que participou de um debate sobre tecnologia, sociedade e políticas públicas na última quarta-feira (24/8) em São Paulo. 

“O Brasil deveria ter um MIT Media Lab para países em desenvolvimento”, comparou Lemos, que representa no Brasil o projeto Creative Commons, iniciativa de construção de licenças de propriedade intelectual mais flexíveis. O MIT Media Lab é um instituto de pesquisa sobre assuntos relacionados às novas mídias e seu uso na sociedade abrigado no Massachusetts Institute of Technology, em Boston, uma das mais prestigiadas universidades norte-americanas. No “laboratório de mídia” são desenvolvidos cerca de 350 projetos, de neurociências ao estudo de carros elétricos. Seu orçamento anual é de US$ 35 milhões e envolve centenas de pesquisadores.

Para Lemos, o país precisa criar instrumentos que possam ser aplicados à realidade de nações em desenvolvimento, pois, na maioria dos casos, as pesquisas feitas no exterior são desenvolvidas e empregadas de acordo com o contexto de locais mais abastados, com populações mais educadas e uma infraestrutura de melhor qualidade. Esses estudos geram resultados que nem sempre podem ser aplicados em países como o Brasil. Com isso, os brasileiros poderiam passar de importadores a exportadores de tecnologias, na análise do especialista.

Para tornar essa ideia realidade, no entanto, o governo precisa investir em pesquisa e desenvolvimento, além, claro, de infraestrutura de acesso à internet, opinou o coordenador do CTS- FGV.  “O plano de banda larga no Brasil é 1.0”, criticou. “Deveríamos estar pensando na banda larga 2.0, sem fio”. 

PNBL é criticado

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) foi alvo de muitos comentários negativos no debate, que reuniu ainda o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, o criador do Creative Commons, Lawrence Lessig, a deputada federal Manuela D’Ávila e o professor da Universidade Federal do ABC Sergio Amadeu. 

Amadeu, que ocupou a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) no governo Lula, afirmou que a administração Dilma “não leva a sério a banda larga”. “Se levasse”, disse, “consideraria a banda larga como um plano de infraestrutura e o colocaria no PAC [Plano de Aceleração do Crescimento]”. O professor também criticou a falta de incentivo a produtores de conteúdo locais. “O PNBL deveria fazer com o Brasil gerasse riqueza e não despesa. Falta incentivo ao conteúdo e servidores locais”, ressaltou.

Para Lemos, o Ministério da Cultura falha ao não fazer parte do PNBL, pois o programa deveria ir além da infraestrutura e abarcar ainda políticas culturais. "O Minc deveria lutar pelo Plano Nacional da Banda Larga e não o faz. E isso é muito sério".

 

Data: 25 de agosto de 2011
Autor: Marcelo Medeiros

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