Campo Limpo Paulista: escola para o século 21
Lançado na quinta-feira, 31 de julho, o programa E-tech − Escola do Século XXI, da prefeitura de Campo Limpo Paulista (SP), vai proporcionar a alunos da rede municipal de ensino o uso de laptops e lousas digitais em sala de aula. A intenção é beneficiar 3.400 alunos de 5a a 8a séries. O programa, com previsão de início para setembro, vai utilizar 1.500 Classmates PC, tipo de laptop especialmente desenvolvido para uso educacional, e 43 lousas digitais.
A proposta é oferecer aos estudantes um novo paradigma de escola. "Ao longo do século passado, tudo foi revolucionado pela tecnologia: medicina, engenharia, as casas das pessoas, etc. Porém, a escola continuou igual ao que era no século 19. Foi mantida à parte de todo ganho tecnológico que a sociedade experimentou no século 20. Os alunos ficam quatro horas por dia em uma escola do século passado e, fora do horário escolar, lidam com uma infinidade de estímulos e inovações tecnológicas por todo lado", avalia o prefeito Armando Hashimoto, explicando o conceito por trás do projeto.
A intenção é, portanto, levas essas ferramentas da vida externa dos estudantes para dentro da escola. "Excluir o audiovisual das salas de aula é um absurdo", pontua o prefeito. Segundo ele, não é possível querer que crianças que nasceram em outro mundo − "elas pensam diferente e em poucos anos criaram um novo dialeto na internet" − sintam interesse através de métodos tão antigos e desatualizados como os utilizados até hoje na maioria das escolas brasileiras.
Transição gradual
Os laptops educacionais ficarão em cima das carteiras escolares, para uso dos alunos dos três turnos − manhã, tarde e noite. Haverá uma transição gradual para essa nova forma de ensino: 40% do conteúdo vão ser dados diretamente através dos Classmates PC, 60% através dos métodos convencionais (livros, cadernos, etc.) e 100% do que for ensinado passará pela lousa digital. Tudo que for apresentado pelo professor nesses modernos quadros-negros poderá ser salvo diretamente pelos alunos em seus laptops, por meio de um software, produzido pela própria fabricante da lousa digital, que sincroniza as duas pontas. "A informática entra, num primeiro momento, para as aulas práticas, para ensinar coisas específicas", completa o prefeito.
Desde que começou a implantar seu projeto de inclusão digital, em 2006, Campo Limpo Paulista vem tendo a Educação como guia. A primeira manifestação foi o ensino básico e profissionalizante em informática nos Centros Municipais de Informática (CMIs). Estes locais atualmente dispõem de 2.400 computadores à disposição da população e ministram gratuitamente cursos básicos e avançados de informática, chancelados pela Microsoft. Em pouco mais de um ano, 4.500 pessoas se formaram nos CMIs. Paralelamente, foram montados laboratórios de informática nas escolas. Para os professores, a prefeitura investe em cursos de neurolinguística, postura, impostação de voz e liderança.
"Assim, cobrimos as três grandes vertentes do nosso projeto de privilegiar a educação: professor, aluno e escola", diz Hashimoto. A última, porém, segundo o prefeito, é que precisava ser mais privilegiada. Foi daí que surgiu o E-tech. "Não podíamos ficar olhando só o ensino profissionalizante de informática nos CMIs, sem olhar para o ensino médio convencional. Temos que dar a formação desde o início", acredita ele. Com o ensino de informática mais generalizado nas escolas, a tendência é de que os CMIs se dediquem a cursos mais avançados e profissionalizantes.
Apesar de recém-lançado, o E-tech já vem se tornando realidade há alguns meses. No último bimestre de 2007, foi realizado um projeto piloto de uso dos laptops em sala de aula em uma escola municipal de ensino fundamental. Segundo o prefeito, o "nível de falta caiu absurdamente, e o interesse melhorou muito". Segundo dados de uma pesquisa da prefeitura, o piloto, batizado de Florescer, fez o número de faltas reduzir 26% e o de notas vermelhas diminuir 68%.
Para lidar com a nova tecnologia − e as novas exigências pedagógicas que ela traz − professores estão sendo capacitados desde maio no uso da lousa digital e na adaptação aos Classmates. "Aqui na cidade a resistência do corpo docente é muito menor, pois sabem que invisto em educação desde sempre", atesta o prefeito.
O E-tech só será viabilizado pelas várias parcerias que angariou. A gigante Microsoft forneceu as licenças de programas de computador − "pagamos o Windows a um preço simbólico de R$ 0,01 e o Office a R$ 6", informa Hashimoto − e outras ferramentas para uso dos alunos; a Smart Technologies forneceu as lousas digitais já com os programas a serem utilizados por alunos; a Klick Educação está produzindo o conteúdo pedagógico nas diferentes áreas (geografia, matemática, etc.) para ser passado através dos Classmates PCs, fornecidos pela Positivo Informática, que venceu a disputa em pregão presencial.
A previsão de início de uso dos laptops é setembro, quando os Classmates chegarão à cidade. A infra-estrutura está toda pronta e o início será simultâneo em todas as escolas. "É só os Classmates chegarem, ligarmos na tomada e começarmos a usar", diz Hashimoto, que se empolga com as perspectivas e o futuro da utilização de laptops nas escolas. "A pergunta hoje em dia não deve mais ser ‘se’ vamos utilizar computadores para os alunos, mas ‘como" fazer isso’", conclui.
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Data: 01 de agosto de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar