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Equipes do InCor prestarão orientação a distância para unidades de atendimento

No próximo dia 15, começa um projeto piloto, em que os médicos do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP)  ajudam os médicos de prontos-socorros da zona oeste de São Paulo a fazer seus diagnósticos. A iniciativa é resultado de um convênio entre o InCor e o Ministério da Saúde, para ajudar a diagnosticar doenças cardiovasculares em até 200 unidades de saúde do país. A orientação será dada à distância por meio de videoconferência.

Múcio de Oliveira, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Emergência do Incor, informa que no Brasil são atendidas anualmente cerca de 2 milhões de pessoas com dor torácica. Desse total, 30% têm síndrome coronariana aguda. E entre 12% a 15% dos pacientes com quadro de morbidade são indevidamente dispensados. “Essa é uma estatística mundial. Em várias localidades do mundo, muitas vezes o socorrista de plantão é um pediatra, um ortopedista ou outro especialista sem prática em cardiologia ou clínica”, explica.

Pelos termos do convênio, as unidades credenciadas receberão uma equipe do InCor para implementação e treinamento. Os postos de atendimento terão um kit, com notebook, câmera de resolução e aparelho de eletrocardiograma. “O mais importante é a ferramenta de interação. Além das orientações, as equipes também veem a necessidade e a possibilidade de transferir os pacientes entre unidades locais”, destaca Oliveira.

“A ideia não é que São Paulo centralize o atendimento a todo o país. Vamos credenciar centrais regionais. A meta do ministério é montar quatro centrais em dois anos, mas podemos expandir ainda mais, com parcerias com as universidades”, diz o diretor do InCor.

Oliveira menciona que uma parceria entre a prefeitura de São Paulo e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) resultou em uma redução de 38% na mortalidade por infarte, apenas com o serviço de telelaudo. “Imagina quantos poderão ser salvos quando os médicos puderem conversar”, diz.

O cardiologista e socorrista observa que a formação de redes colaborativas fica cada vez mais importante, inclusive pela própria longevidade da população. “Isso é o futuro da medicina, à medida que os pacientes ficam mais complexos. Estamos em um estágio (da evolução científica e técnica) em que nem curamos nem matamos; é comum um paciente chegar com 5 ou 6 comorbidades. Em breve, teremos muitos doentes de câncer e o socorrista terá dificuldades em saber o que fazer no caso de uma pneumonia”, exemplifica. “Em pouco tempo, não se conseguirá fazer medicina sem os recursos de colaboração”, afirma.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 5% das mortes ocorrem na primeira hora da manifestação da doença e 80% em até 24 horas. Em 2009, as doenças cardiovasculares representaram 31% das mortes no Brasil.

O InCor manterá equipes disponíveis 24 horas para prestar a orientação à distância. A expectativa dos órgãos é que, em até dois anos, 200 unidades do sistema público de saúde se credenciem para participar do projeto.

O ministério disponibilizou R$ 991 mil para a primeira fase do projeto, que integra o Programa Telessaúde Brasil Redes, que já chegou a 1.733 unidades de saúde do país. Na assinatura do convênio, também foi anunciado o investimento de R$ 8 milhões na modernização tecnológica do InCor. Serão adquiridos aparelhos de tomografia, ultrassom e ecocardiograma, além de monitores e centrais de monitoramento de pacientes em estado crítico. Os novos equipamentos serão destinados, principalmente, para os tratamentos intensivos.

“Nossa intenção é que o conhecimento e a experiência do Incor cheguem aos lugares mais remotos do país, ajudando a democratizar o acesso dos brasileiros aos avanços científicos”, explica Roberto Kalil, diretor da Divisão Cardiologia do instituto. “Quando falamos da inclusão do InCor no programa, muitas unidades manifestam grande interesse em participar”, diz o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

O projeto ainda está em fase piloto, que vai até o final do ano, e ainda não estão definidos os critérios de credenciamento das unidades de saúde. Mais informações podem ser obtidas junto à área de Telemedicina do Incor.

Data: 02 de julho de 2012
Autor: Vanderlei Campos, com informações da Agência Brasil

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