Entra em operação primeira etapa do Orla Digital
Em cerimônia recheada de autoridades, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, inaugurou nesta terça, 22 de julho, o Orla Digital, iniciativa que leva gratuitamente conexão em banda larga à internet aos 4,5 quilômetros da praia de Copacabana, zona sul da capital do Estado. Inicialmente, foi aberto o sinal somente no trecho entre as ruas Princesa Isabel e Santa Clara, iluminando cerca de 1,5 quilômetro, utilizando 11 do total de 21 pontos de acesso do projeto. Na segunda etapa, a ser inaugurada em agosto, serão conectados os trechos restantes (da rua Princesa Isabel até o Leme e da rua Santa Clara até a rua Francisco Otaviano).
"Não é um luxo você tomar uma água de côco acessando gratuitamente a internet na Atlântica?", comentou o governador. Para instalação do sistema ao longo da "Princesinha do Mar", foram gastos R$ 980 mil, oriundos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), ligada à Secretaria de Ciência e Tecnologia. O projeto faz parte do programa estadual Rio Digital, que pretende iluminar todo o Estado com sinal sem fio de internet banda larga.
Os pontos de acesso, com rádios Wi-Fi (freqüência de 2,4 GHz) fornecidos pela Motorola, estão instalados a uma distância de 250 metros entre si, no alto dos postos da RioLuz, cedidos pela Prefeitura. O sinal, originado na Rede Rio de Computadores (rede que interliga os órgãos do governo estadual), chega por fibra ótica a um ponto inicial e dali é retransmitido via ondas de rádio para os demais pontos da rede. A banda de internet será de 54 Mbps e comportará ainda aplicações de vídeo.
Espera-se poder atender um potencial de 100 mil pessoas na área, contando com moradores e turistas. "O que estamos fazendo aqui é instalando a maior rede sem fio a céu aberto da América Latina. Não há nada igual no Brasil ou em outros países da região", comemorou o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Cardoso.
Para atender ao maior número possível de pessoas, já se estudam formas de limitar o acesso por usuário. "Num primeiro momento, estamos abrindo a rede por completo. E vamos avaliar o desempenho em função do número de usuários. Até a rede ser instalada completa, colocaremos um sistema de gerência com alguma limitação de uso. A maneira de fazer isso, em princípio, será a limitação por tempo. Depois de um certo período, a conexão será desfeita e o usuário terá de se reconectar. Tomaremos, portanto, medidas para haver um compartilhamento honesto", garante o professor Luís Felipe Magalhães de Moraes, que junto com o professor Claudio Amorim, ambos da Coppe/UFRJ, responde pela coordenação técnica do projeto.
Atenção com o conteúdo
Segundo o secretário Alexandre Cardoso, além da tecnologia em si, o projeto terá cuidado com o conteúdo. "Daqui a algum tempo, internet será igual a rádio, todo mundo vai poder acessar. O que vai definir a rede será seu conteúdo. Pode ser usada para segurança, saúde, educação, etc. Evidentemente, o conteúdo é que vai definir quem vai escolher a melhor rede. A Secretaria de Ciência e Tecnologia está fazendo convênios com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para dar conteúdo a essa rede", garantiu ele.
Depois da praia de Copacabana, outra área turística da cidade receberá sinal aberto sem fio de internet: o Maracanã. Segundo o secretário, a rede no estádio deve ser inaugurada no próximo mês. O Baixada Digital, subdivisão do projeto estadual que pretende levar sinal sem fio a 11 municípios da Baixada Fluminense, será inaugurado em novembro, informou Cardoso. "Esperamos que, dentro de três anos, todo o Estado do Rio esteja coberto por rede sem fio", completou o secretário.
Apesar de inovadora, a idéia de poder acessar a internet em plena praia de Copacabana é posta em dúvida por muita gente, em função da segurança na área. Questionado sobre o assunto, o governador Sérgio Cabral garantiu que o Estado está prestando atenção ao tema. "Estamos reforçando a segurança em todas as áreas da cidade. Acredito que a essência do nosso governo é enfrentar o tema da criminalidade para que as pessas tenham cada vez mais a tranquilidade para circular sem o temor da insegurança. Temos dificuldades de efetivo e estruturais. Sabemos que nao é uma tarefa fácil. Mas certamente esse programa não está comprometido por causa desses temores", afirmou Cabral.
Uma das soluções para a questão pode estar na própria rede sem fio: a possibilidade de colocar câmeras IP de monitoramento. Uma, inclusive, já está instalada na praia de Copacabana, em frente à rua Princesa Isabel e foi demonstrada durante a inauguração do Orla Digital. "Já conversei com o Dr. Mariano [secretário estadual de Segurança Pública], e ele está pensando em implantar essas câmeras. Hoje já temos uma câmera funcionando, que dá efetivamente segurança ao morador de Copacabana", disse Cardoso.
Estiveram presentes à cerimônia de inauguração, além do governador e do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, o vice-governador, Luis Fernando Pezão, e os secretários de Obras, Assistência Social, da Casa Civil e de Administração Penitenciária, respectivamente Julio Lopes, Benedita da Silva, Regis Fichtner e Cesar Rubens Monteiro de Carvalho. Também marcaram presença os reitores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Ricardo Vieiralves de Castro e Almy Junior Cordeiro de Carvalho, o presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), Sérgio Besserman, e o diretor do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj), Paulo Coelho.
Ao final da inauguração, o Guia das Cidades Digitais testou a conexão no local. A rede estava operante e com acesso livre.
Autor: Maria Eduarda Mattar
Fotos: Maria Eduarda Mattar
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Assim como o Orla Digital, que foi inaugurado com atraso de 22 dias, o Baixada Digital também vai demorar mais tempo do que o previsto para se concretizar. Com lançamento inicialmente programado para agosto, o projeto que vai conectar 11 cidades da Baixada Fluminense, região na periferia da capital do Estado, deve ficar para novembro.
"Houve uma greve da Receita Federal e isso atrasou a importação de antenas", contou ao Guia das Cidades Digitais o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Cardoso. "E ainda tem algumas coisas de ajustes finos que precisamos fazer", completou ele.
Coordenada pelo professor Franklin Coelho, a iniciativa irá abranger Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Paracambi, Queimados e São João de Meriti. A intenção é propiciar sinal de internet capaz de atender a até 3,5 milhões de pessoas.
O Orla e o Baixada Digital fazem parte do programa estadual Rio Digital, que pretende levar conexão sem fio à internet à "porta" de todas as cidades fluminenses.
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Data: 22 de julho de 2008
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