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Crise hídrica e alta de tarifas alavancam projetos de gestão racional

Análises técnicas das contas das concessionárias; adoção de práticas eficientes; e, em um estágio mais maduro, instalação de medidores para gerenciamento em tempo real. Esses são os eixos da solução CPqD Gestão de Gastos de Energia Elétrica e Água, adotada em organizações com unidades distribuídas, como campus industrial, redes de varejo ou bancos. “Às vezes, os estudos técnicos contradizem o óbvio. Em agências bancárias constatamos que a quantidade de clientes tem um impacto mínimo na variação de consumo elétrico”, exemplifica Alexandre Medeiros, responsável pelo produto.

Pelo histórico dos projetos com o sistema do CPqD, as organizações têm uma redução média de 5% nas despesas apenas com o mapeamento preciso do consumo. A segunda fase, de revisão e adoção de práticas eficientes, varia conforme o setor, embora alguns desperdícios sejam recorrentes. “Em escritórios, o ar-condicionado pesa muito. Isso pode ser atenuado com o dimensionamento correto. Até a cor das paredes pode também influir no gasto com iluminação”, menciona o engenheiro do CPqD.

Nos trechos mais críticos da infraestrutura, a solução do CPqD inclui redes de sensores ligadas a uma plataforma de gerenciamento. Esses equipamentos contam com conexão GPRS (dados por celular com banda estreita) e o CPqD oferece o sistema de gestão no modelo SaaS (software como serviço). “O cliente pode optar pela instalação em seus servidores e conectar os equipamentos pela rede corporativa”, diz Medeiros. “Mas mesmo quem optou por comprar a licença e instalar em seu servidor acabou contratando nossa consultoria para definir os processos internos”, conta.

Casa de ferreiro

Internamente, o CpqD assumiu a meta de 30% de redução no consumo per capita de energia elétrica em 2015. A solução CPqD Gestão de Gastos de Energia Elétrica e Água foi implantada no ano passado no Pólis de Tecnologia - parque tecnológico que abriga 18 empresas, além do próprio CpqD. No caso do Pólis de Tecnologia, a solução do CPqD vem sendo usada na gestão de gastos de energia elétrica em 46 prédios – do próprio Centro e de outras empresas instaladas nesse parque tecnológico – e, também, na gestão do consumo de água em 37 prédios. 

“Colocamos medidores inteligentes nesses prédios, que fornecem informações sobre o consumo de cada um”, explica Medeiros. “Essas informações são inseridas na ferramenta de software, que permite visualizar de forma mais clara e online o desempenho de cada unidade consumidora, sua posição em relação às metas estabelecidas pela empresa e a economia obtida com ações de eficiência energética ou de redução no consumo da água”, descreve.

O engenheiro reconhece que as ações relacionadas a água são mais difíceis do que as medidas de racionalização do uso de energia. Por um lado, pesam as características dos próprios equipamentos – é mais fácil medir a carga de um circuito elétrico do que a vazão de um hidrômetro. As contramedidas, por sua vez, são mais complexas no caso da eficiência hídrica. “Grandes consumidores já começaram alguns avanços, como reúso de água. Mas em ramos como comércio, as ações são complicadas”, pondera.

Água no calcanhar

Evidentemente, o peso das tarifas intensificou a atenção de indústrias, companhias de comércio e gestores de serviços públicos para as condições e as perspectivas dos recursos essenciais. “Até 2001, vivíamos com a perspectiva de energia farta e barata. Depois do susto, vieram as térmicas e passamos alguns anos sem seca. Em 2012, os especialistas advertiram sobre a redução da oferta e a crise hídrica vem aumentando os preços no atacado. Em 2013 já estaríamos em bandeira vermelha (caso os degraus já tivessem sido adotados)”, lembra Medeiros.

Ele menciona que o ONS (Operador Nacional do Sistema) dimensionou o sistema para até três anos de crise hídrica rigorosa. “O problema é que muitas unidades de geração são contabilizadas, mas não estão interligadas (por falta de linhas de transmissão)”, pondera.

No setor hídrico, a interligação de fontes de abastecimento também é uma medida estrutural, que ganha atenção neste momento.

“A crise não está pior porque o Brasil não cresce”, constata o especialista do CPqD. “Se a indústria automotiva tivesse o desempenho de alguns anos atrás, a água já teria acabado”, diz.

A combinação de escassez, aumento de custo e retração de faturamento cria um ambiente “pedagogicamente” propício para que os gestores, de diversas organizações, coloquem as medidas de eficiência entre suas prioridades. Em contrapartida, poucos projetos têm ações planejadas para uma eventual recuperação da demanda por bens e serviços. “Os gestores estão empenhados em manter as coisas funcionando. É difícil que alguém se disponha a planejar o que fazer quando a economia reaquecer”, admite o engenheiro.

Data: 10 de março de 2015
Autor: Vanderlei Campos

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