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Companhia de eletricidade do Rio Grande do Sul estuda entrada no mercado de telecomunicações para oferecer banda larga
Empresa encomendou relatório sobre modelo de negócios a ser adotado. Ideia é oferecer bandar larga à população e melhorar infraestrutura pública de Tecnologia da Informação.
A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) do Rio Grande do Sul deve entrar em breve no mercado de telecomunicações. A ideia é criar uma subsidiária para comercializar acesso a banda larga utilizando a rede de fibra ótica da companhia. Para viabilizar o projeto, a estatal encomendou um estudo ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), que deve entregar um relatório no final de abril com recomendações sobre a melhor maneira de entrar no setor.
“Nosso objetivo é aproveitar uma infraestrutura existente e investir para ampliar a oferta de serviços”, explicou ao Guia das Cidades Digitais o presidente da CEEE, Sergio Dias. A empresa possui 1,2 mil quilômetros de fibra ótica espalhados pelo Rio Grande do Sul e pretende aproveitar esse recurso para gerar mais receita. Hoje, a rede é utilizada para garantir a qualidade da comunicação entre as unidades de geração de energia e o Centro de Operações, localizado na capital, Porto Alegre.
A CEEE acredita que com mais R$ 60 milhões consegue instalar mais mil quilômetros de fibra pelo estado e interligar a rede, formando um anel que garantirá mais velocidade e alcance ao futuro serviço de provimento de acesso à internet. Atualmente, a área central do estado é a mais carente em infraestrutura. A área metropolitana da capital já possui um anel da CEEE.
O CPqD vai analisar a melhor maneira de aproveitar a infraestutura existente e a forma mais eficiente de expandi-la. Serão analisados modelos de negócios referentes a rotas de alta capacidade, intermediárias e de oferta de internet para todos.
No primeiro caso, a rede seria negociada com provedores de internet, que, por sua vez, comercializariam o sinal. Nas rotas intermediárias, a CEE se encarregaria de prover internet a clientes médios, enquanto na última modalidade a estatal seria ela mesma responsável por fornecer acesso e serviços ao mercado. Nesta última hipótese, estariam inclusos serviços de telefonia sobre IP (VoIP), internet domiciliar e empresarial e entrega de links dedicados a grandes companhias.
Sobre a possibilidade de oferecer acesso gratuito à população de alguns municípios, o presidente da CEEE, Sergio Dias, afirmou que está fora dos planos iniciais da companhia, mas não a descartou. “Neste primeiro momento, não pensamos nisso. Depois de implementada a empresa, talvez isso aconteça. Já temos alguns projetos em andamento para testar essa vertente”, disse.
Uma das iniciativas é o programa “Candiota Digital”. Nele, a CEEE oferece acesso à internet a prédios públicos e escolas de Candiota, município a 390 km de Porto Alegre e localizado no sul do estado. A iniciativa abrange ainda os municípios de Piratini e Camaquã e está orçado em R$ 840 mil. “Estamos aprendendo bastante com esse programa”, garante Dias. “Já detectamos nossos erros e acertos e iremos trabalhá-los para melhorar nossas iniciativas futuras”.
O sinal chega via fibra ótica até a Usina Termelétrica Presidente Médici (Candiota é uma grande produtora de carvão), localizada no município gaúcho, e de lá é retransmitido via WiMax para escolas e prédios da prefeitura. Os alunos, inclusive, também testam computadores portáteis do programa “Um computador por aluno” do governo federal.
A CEEE possui licença da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para prover serviços de dados. De acordo com o CPqD, o estudo ficará pronto no fim de abril.
Data: 18 de fevereiro de 2011
Autor: Marcelo Medeiros