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Como funciona na prática

O VoIP funciona como uma rede de telefonia fixa, mas utiliza softwares para transformar voz em dados e depois reconvertê-los em voz. Assim, uma chamada via IP acaba sendo igual a uma feita pela rede telefônica convencional, porém, pode apresentar vantagens, como a possibilidade de realizar conferências por telefone – até com vídeo, dependendo do equipamento disponível.

“O objetivo de adotar a tecnologia VoIP em prefeituras e órgãos públicos é melhorar o atendimento ao cidadão, além de gerar ganho de produtividade, trazendo uma economia significativa na conta telefônica. Essa economia se dá nas ligações DDD e na comunicação entre os funcionários públicos. Por exemplo, uma prefeitura tem a sua sede e precisa se comunicar com as diversas secretarias. Isso hoje é feito via telefone e implica altos gastos”, explica Vinícius da Silveira, gerente de produtos da Leucotron, empresa especializada na oferta desse tipo de serviço.

“O menor custo é apenas uma das vantagens. Outra é a flexibilidade de uso do sistema, que pode ser interligado até mesmo à rede de telefonia celular”, lembra Giani Maldaner, diretor técnico da Sisnema, empresa de VoIP do Rio Grande do Sul.

Para tornar uma rede de telefonia via IP (VoIP) eficiente, a dica fundamental é montar uma rede de comunicação de acordo com a demanda do município. De pouco adiantam equipamentos caros e poderosos se boa parte dessa capacidade for subaproveitada. Será dinheiro jogado fora, o que ninguém quer ver acontecer. Por isso, é preciso, em primeiro lugar, mensurar sua necessidade e adequar a ela a compra de equipamentos e a contratação de banda de Internet.

Outro conselho dado por especialistas para que as prefeituras poupem recursos na hora de instalar equipamentos VoIP é pesquisar. “É importante as prefeituras fazerem cotação com diversos fornecedores, prestando atenção aos que oferecem os serviços e equipamentos com código aberto”, diz Epaminondas Lage, diretor comercial da Planetfone, empresa mineira que oferece esse tipo de solução. Segundo Lage, os custos de aparelhos que funcionam com software livre, também chamados programas abertos, são “infinitamente menores” do que aqueles com softwares proprietários.

Peças do quebra-cabeças

Há várias maneiras de se utilizar serviços de voz sobre IP. Todos demandam internet banda larga para serem eficientes. Em geral, as empresas recomendam ter pelo menos 200 Kbps de sua banda dedicados ao serviço de telefonia. Isso para que a ligação não fique “cortada” ou apresente atrasos (delays). Essa quantidade de bits por segundo (bps), no entanto, pode variar de acordo com as especificações do aparelho e dos programas de compressão de dados (codecs) utilizados.

APARELHOS

  • ATA: sigla para Analog Telephone Adaptor, ou adaptador de telefone analógico. O ATA permite conectar um telefone comum ao computador ou à rede da qual o aparelho fará parte para usar com VoIP. Na prática, é um conversor de voz em dados. Algumas empresas fornecem o aparelho junto com a assinatura do serviço. Basta ligar o fio do telefone (que normalmente é conectado na tomada da parede) no ATA e o aparelho estará pronto para fazer ligações VoIP. Alguns ATAs podem ter software adicional, que é instalado no computador, que o configura automaticamente.
  • Telefone IP: na aparência, eles são iguais aos aparelhos convencionais. No entanto, conectam-se à rede local de internet por meio de conectores RJ-45 Ethernet ao invés de RJ-11, utilizados na rede de telefonia fixa. Os telefones IP são ligados, portanto, com o roteador e dispensam o ATA para fazer as chamadas.
  • Computador para computador: maneira mais fácil de utilizar serviços IP. Basta instalar um software (softphone) e possuir placa de som, microfone e caixa de som (ou então um headfone). O programa funciona como um telefone convencional, com as teclas para digitar o número.
  • IP Wi-Fi: aparelhos celulares e móveis mais modernos podem fazer ligações por meio da internet também. Eles conseguem detectar redes Wi-Fi e possuem softphones instalados. Assim, ao invés da rede celular, a pessoa utiliza a internet para fazer suas chamadas.
  • Central PABX: funciona como um PABX normal, porém a central deixa de ser fixa para tornar-se parte de um programa de computador. Várias empresas oferecem soluções de acordo com a necessidade da prefeitura. Um dos sistemas que fazem esse serviço de distribuição de dados e, se for o caso, de transformação de dados, é o Asterisk. A central PABX via IP permite a conexão dos ramais analógicos à rede, bastando utilizar ATAs.


SOFTWARES

Os softwares servem para realizar as chamadas direto do computador e estabelecer um PABX virtual para distribuição de ramais VoIP.

  • Asterisk: é o programa mais conhecido de PABX virtual, ou seja, faz a operação da central telefônica digital; não serve para realizar chamadas nos computadores dos usuários finais.
  • ChipCell+: interface celular que, acoplada a um PABX de qualquer marca e modelo, permite a realização de chamadas de uma linha telefônica fixa para um telefone celular como se fosse de celular para celular, reduzindo consideravelmente os custos com estas operações. Para utilizar a solução, a empresa precisa adquirir um chip GSM de qualquer operadora de telefonia móvel e habilitá-lo com a mesma facilidade de um celular comum.
  • Ekiga: antes conhecido como GnomeMeeting, é um software livre e também pode ser instalado em casas ou escritórios. Permite o uso de diferentes contas (ramais) VoIP no mesmo programa.
  • Gizmo: software popular de realização de chamadas VoIP; pode ser instalado gratuitamente tanto por usuários domiciliares quanto por redes privadas VoIP.
  • Softphone: programa que funciona como um telefone. Para utilizá-lo, basta ter conexão em banda larga e um fone de ouvido e microfone. Um dos mais utilizados é o Skype, mas diversas empresas oferecem o serviço.
  • Skyvoice Flex: é um dos destaques da linha Skyvoice; permite ao usuário utilizar diferentes possibilidades em telefonia: operadoras convencionais (fixas), operadoras VoIP e o Skype. No modelo Flex, é possível determinar qual operadora o usuário deseja usar em cada ligação, seja ela convencional ou VoIP. Na hora de fazer a ligação, o sistema direciona a chamada para a operadora que foi pré-programada, independentemente do que for discado, resultando em menores custos.
  • Taritron Flex: software de tarifação que calcula bilhetes telefônicos de uma ou mais empresas em localidades diferentes, e de todos os tipos de ligações – DDD, DDI, Celular e VoIP. Pode operar em várias marcas e modelos de PABX. Emite relatórios com os gastos por ramal, departamento ou área, tronco ou operadora; realiza mapeamento de ligações; controla as chamadas por dia, horário e mês; etc.
  • X-Lite: versão gratuita do software oferecido pela CounterPath; permite, entre outras coisas, gravação da conversa e caixa postal.



SERVIÇOS

  • Teleconferência: a maioria das empresas oferece a possibilidade de realizar conferências via telefone, ou seja, falar com mais de uma pessoa por vez.
  • Identificador de chamadas: serviço que mostra o número de quem está ligando.
  • Correio de voz: funciona como uma secretária eletrônica, mas a mensagem fica armazenada em arquivo de áudio (.mp3, por exemplo). Pode-se programar o computador para avisar o dono da linha quando houver um novo recado. Também é possível escutar o recado no próprio computador.
  • URA: sigla de Unidade de Resposta Audível, é um sistema de reconhecimento de voz que elimina a necessidade de teclar para a escolha de opções.

 

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Data: 12 de junho de 2008
Autor: Marcelo Medeiros, com colaboração de Maria Eduarda Mattar

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