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Cidades inteligentes: a saída para evitar agravamento de problemas urbanos

O impacto das TICs nas cidades foi o tema discutido em workshop no CPqD

Mais da metade (53%) da população mundial hoje vive em áreas urbanas e a previsão é que, até 2050, esse percentual atingirá 70% − o que tende a agravar problemas como trânsito congestionado, transporte público insuficiente, aumento da emissão de CO2, gestão de resíduos, falta de segurança, de água e de energia, entre outros. É nesse contexto que as Cidades Inteligentes − que usam as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para melhorar sua infraestrutura e os serviços prestados aos cidadãos − despontam como a principal saída para evitar o agravamento dos grandes problemas urbanos em todo o mundo.

“O uso intensivo de TICs torna os setores de transporte, utilities (água, luz, gás), segurança, saúde, educação, turismo, esportes, sustentabilidade, negócios e gestão pública mais inteligentes, interconectados e eficientes”, afirma Tania Regina Tronco, pesquisadora da Diretoria de Gestão da Inovação do CPqD. Em sua palestra no workshop Impacto das TICs nas Cidades Inteligentes, realizado na semana passada no CPqD, Tania observou que o cruzamento dos dados dos diferentes setores permite ter uma visão integrada da cidade, o que torna o planejamento urbano mais eficiente e permite aos gestores tomar decisões em tempo real, com base em informações atualizadas e relevantes.

“Isso traz otimização dos serviços urbanos, redução de custos operacionais, maior eficiência no uso de recursos naturais (água, energia, etc.) e, principalmente, melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, por meio da oferta de serviços de qualidade e da criação de novos serviços”, disse a pesquisadora do CPqD. Segundo ela, a plataforma de TICs para cidades inteligentes inclui a instalação de sensores para coleta de dados, as redes de comunicação para transmissão das informações, gateways, rede internet, sistemas de armazenamento e tratamento de dados e uma plataforma de serviços - que facilita a introdução de novos serviços para a população.

Para ilustrar sua palestra, Tania apresentou vários casos de sucesso de cidades inteligentes no mundo. Entre eles, destacou Songdo, na Coreia do Sul, e Masdar, nos Emirados Árabes, que foram construídas do zero já no conceito de smart city. “O projeto Masdar City teve início em 2006 e estão previstos 50 mil habitantes para a cidade em 2020”, contou. “Empregando tecnologias “verdes” no estado da arte, pretende ser a ‘Silicon Valley’ no setor de energia, com ‘zero waste, zero carbon, fossil free’, gerando mais energia do que consome.”

Smart grid

Projetos brasileiros de cidades inteligentes também foram apresentados durante o evento do CPqD. Joselino Filho, da EDP, falou sobre os projetos InovCity, que estão sendo implantados pela empresa na cidade de Aparecida (39 mil habitantes), no Vale do Paraíba paulista, e no Espírito Santo. Na verdade, são projetos de smart grid (rede elétrica inteligente), desenvolvidos dentro do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo Joselino, o InovCity Aparecida contou com seis grandes áreas de desenvolvimento em sua primeira fase (são três no total): medição inteligente, eficiência energética, geração distribuída, iluminação pública eficiente, mobilidade elétrica e sensibilização da comunidade. O InovCity Espírito Santo, que começa a ser implantado em dezembro - com pilotos nas cidades de Domingos Martins e Marechal Floriano, na região serrana do estado -, terá as mesmas características, porém com a incorporação de novidades na área de interação com o cliente (palestras nas escolas e criação do Observatório do Consumidor) e de opções tarifárias (pré-pagamento e tarifa branca, por exemplo).

Ao falar sobre a transição entre smart grid e smart cities, José Antonio Donizete Rossi, da gerência de Inovação e Marketing em Laboratórios e Infraestrutura de Redes do CPqD, mencionou outros projetos de rede elétrica inteligente em implantação no Brasil. “A presença de infraestruturas de telecomunicações e de energia elétrica confiáveis são premissas importantes para o sucesso na aplicação de soluções de smart cities”, enfatizou Rossi, em sua palestra. “Como já existem diversos cases de implantação de redes inteligentes, muitos projetos de smart cities utilizaram a infraestrutura de comunicação criada nesses projetos e inseriram novos sistemas e funcionalidades. A infraestrutura de smart grid, portanto, pode ajudar na construção das smart cities”, acrescentou.

Entre os cases de rede elétrica inteligente existentes no país, Rossi destacou os projetos nos quais o CPqD tem participação: com a Celpe, em Fernando de Noronha, que tem foco em eficiência energética e sustentabilidade ambiental; com a Eletrobras, em Parintins; com a Cemig, em Sete Lagoas (Projeto Cidades do Futuro), e com a Light, no Rio de Janeiro. “São projetos que envolvem vários aspectos da rede inteligente: infraestrutura de telecomunicações, medição eletrônica, automação avançada, microgeração distribuída e armazenamento de energia, mobilidade elétrica, sustentabilidade ambiental e comunicação com o consumidor”, explicou.

Smart cities

Uma das iniciativas pioneiras de cidade inteligente no mundo foi apresentada no evento do CPqD por Pablo Larrieux, diretor do Centro de Inovação da Telefonica: o projeto Smart Santander, implantado nessa cidade do norte da Espanha. Sua implantação, iniciada em setembro de 2010, envolveu 25 organizações de dez países, sob liderança da Telefonica. Foram instalados mais de 20 mil sensores na cidade, com o objetivo de monitorar vagas em estacionamentos (smart parking), transporte (horários e níveis de ocupação), tráfego de veículos, estações de tempo e qualidade do ar, iluminação urbana, coleta de lixo, irrigação e, ainda, serviços NFC (como pagamentos e controle de acesso).

“Em Santander criou-se o ecossistema que permitiu o desenvolvimento de novos serviços para a população”, contou Larrieux. “Hoje a cidade é uma das mais inteligentes do mundo.”

Larrieux apresentou também o caso de Águas de São Pedro, cidade inteligente implantada no Brasil (no interior paulista) pela Telefônica. O projeto incluiu a implantação no município de uma infraestrutura de telecom de alta capacidade e velocidade (fixa, com fibra óptica, e sem fio 4G), além de soluções avançadas de voz e dados para empresas. Incluiu também um conjunto de soluções que permitem uma nova geração de serviços e negócios conectados às cidades. Segundo Larrieux, o foco concentrou-se nas seguintes soluções: estacionamento (informação em tempo real sobre ocupação de vagas), iluminação pública, segurança (câmeras inteligentes que também geram informações sobre o tráfego de veículos), saúde (e-health), turismo e educação digital.

“Uma das conclusões desse projeto é que a tecnologia sozinha não transforma uma cidade”, disse Larrieux. “O sucesso depende da criação de um ecossistema onde as partes participam de forma cooperada, observando planos e políticas de longo prazo”, acrescentou.

Fonte: Assessoria de imprensa do CPqD
Data: 08 de dezembro de 2014

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