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Cidades Digitais inspiram projetos selecionados pela Finep
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), entidade de fomento à pesquisa ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), divulgou em julho os projetos preliminarmente classificados para Subvenção Econômica para a Inovação 2009, linha anual de financiamento considerada uma das mais importantes do país entre as voltadas para novos projetos tecnológicos. Dos 199 projetos escolhidos, 10 têm a ver com Cidades Digitais. Apesar de não ser uma parcela significativa (menos de 5%), mostra que as empresas já estão começando a apresentar propostas relacionadas especificamente à digitalização de municípios.
Dentre as propostas relacionadas a Cidades Digitais, há projetos de conexão WiMax direto a telecentros, pacotes de soluções de e-gov, WiMax de baixo custo em UHF, software de gerenciamento de telecomunicações para comunidades rurais, sistema barato para implementação de telecentros e roteador comunitário, entre outras mais amplas, como a de inclusão digital sustentável. A maioria deles tem em comum o fato de apresentarem soluções de baixo custo para conexão ou implementação de infraestrutura de telecomunicações em áreas ainda não iluminadas.
O projeto WiMax UHF - Desenvolvimento de Soluções para Centros de Acesso Público à Internet em Banda Larga com Baixo Custo traduz isso de forma. "A iniciativa consiste no desenvolvimento de rádios WiMax em UHF, com foco em atender a demanda do governo federal para prover acesso em banda larga à internet nas áreas rurais e em municípios onde o acesso à web é precário ou inexistente", diz Nobile Scandelari Jr., diretor da WNI do Brasil, empresa proponente com matriz no Paraná.
Segundo ele, a principal vantagem apresentada por essa opção de conexão é o alcance, pois a tecnologia permitiria atingir locais onde, com as faixas de frequência existentes hoje, não há possibilidade técnica. Uma outra característica do projeto é o fato de cidades de qualquer porte poderem adotar a tecnologia, apesar de o público-alvo, como lembra Scandelari, estar principalmente fora das capitais. "O foco é levar o atendimento a quem não tem acesso ou para quem tem acesso muito precário e custoso", especifica. O projeto ainda não está em andamento e sairá do papel com o financiamento da Finep.
Foco e perfil semelhantes tem o projeto Internet em Banda Larga aos Centros de Acesso Público pela Tecnologia WiMax, apresentado pela paulista Wimobilis Digital Technologies. A intenção é, inicialmente, aplicar a tecnologia somente em telecentros. "Seria possível ter acesso de baixíssimo custo, comparado à opção pela transmissão via satélite, e com alta velocidade", resume Marcos Cesar Manente, diretor de tecnologia da Wimobilis. A intenção é colocar nos centros de acesso à internet, os populares telecentros, estações radiobase (ERBs) com receptores e conversores de sinal WiMax (que usa frequência de 5,8 GHz). Nos projetos existentes atualmente, as ERBs instaladas nos municípios costumam receber sinal de frequências diferentes, como Wi-Fi (2,4 GHz) ou frequências usadas por tecnologias proprietárias.
Segundo Manente, a ideia do projeto surgiu a partir do que já faz a empresa (transmissão sem fio de sinal, incluindo Wimax), porém com o objetivo de adaptar isso a situações em que é preciso ter baixo custo, como nos telecentros comunitários. Apesar de ter nascido com este perfil específico, Manente afirma que o projeto é aberto. "Criamos o produto e quem tiver necessidade pode usar", diz, complementando em seguida: "A tendência é ser usado em cidades em que não têm esse acesso à internet, onde não há soluções baratas. Por exemplo, cidades que usam satélite atualmente. O WiMax permite grande abrangência e, com isso, diminui custo", defende o diretor da Wimobilis.
Solução de e-gov
O projeto apresentado pela catarinense Paradigma sai da esfera do hardware e da infraestrutura e se centra no oferecimento de um pacote de soluções de governo eletrônico. "A proposta deste projeto é reunir em uma única plataforma as principais soluções e serviços fundamentais de governo eletrônico que utilizam a internet como canal de comunicação, informação e prestação de serviços para cidadãos, empresas, entidades e administração pública", explica Gérson Schmitt, fundador e controlador da Paradigma.
A solução proposta incluiria painel de indicadores de desempenho da administração pública, baseado no conceito de business intelligence, que integraria informações de diferentes sistemas, produzindo assim indicadores e diagnósticos nas diferentes áreas. Outras aplicações pensadas para a ferramenta incluem workflow de gestão, portal de compras eletrônicas, gestor de contratos, servidor de nota fiscal eletrônica, portal de informações e serviços aos cidadãos, sistema de notificação e alertas (com envio de mensagens e relatórios automáticos para e-mails ou celulares), além de sistemas de cadastro único de imóveis e na área de saúde.
"Outras soluções e serviços poderão ser agregadas a este conceito de relacionamento de governo e sociedade, como subsistemas especializados na área de saúde, educação e controle de distribuição de benefícios sociais", exemplifica Schmitt. Algumas das soluções que seriam integradas na plataforma única já são desenvolvidas, separadamente, pela Paradigma. Com a subvenção da Finep, a ideia é acoplar − e integrar, com os ajustes necessários − tudo e oferecer em uma única plataforma. Diferentemente dos outros dois projetos, a solução da Paradigma seria melhor implementada em cidades que já "tenham uma razoável estrutura de comunicação via internet", conforme aponta Schmitt.
Edital teve mais de 2.500 propostas
O edital de Subvenção Econômica para a Inovação recebeu 2.558 propostas, divididas por seis áreas: Tecnologias da Informação e Comunicação, que teve 43 projetos selecionados; Saúde, com 41 iniciativas; Desenvolvimento Social, com 39; Defesa Nacional e Segurança Pública, que classificou 31 projetos; Energia, que teve 25, e Biotecnologia, com 20 projetos. Os critérios para avaliação de mérito foram: grau de inovação da proposta; efetividade do projeto na solução dos problemas; impacto no mercado; viabilidade técnica e financeira e capacitação técnica da equipe executora.
Serão concedidos R$ 450 milhões em recursos não reembolsáveis, divididos entre as seis áreas estratégicas. Cada uma dispõe de R$ 80 milhões para apoiar projetos inovadores, com exceção da área de Desenvolvimento Social, que conta com R$ 50 milhões.
A lista preliminar completa com os projetos está aqui (arquivo em PDF).
Data: 05 de agosto de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar