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Cidade gaúcha leva internet Wi-Fi à área urbana

Estrela, no Rio Grande do Sul, tem 29 mil habitantes e uma constelação de atrações. Natureza, laticínios e embutidos são os principais astros da cidade, distante 100 quilômetros da capital do Estado, Porto Alegre. O trio ganhou uma concorrência que, como o nome da cidade, vem do céu. A partir de julho, toda a parte urbana da cidade terá à disposição acesso gratuito à internet via Wi-Fi. O serviço faz parte do projeto Estrela Cidade Digital, desenvolvido pela prefeitura desde 2004 e que conta com uma série de pontos luminosos.

Estrela“Trabalhamos o projeto da Cidade Digital em Estrela como um meio de crescimento social e de inclusão no mundo da informação e da tecnologia”, afirma o prefeito Celso Brönstrup. Além de oferecer conexão gratuita por meio de um link via satélite de 6 Mbps a todos os moradores da zona urbana e um telecentro com 34 máquinas, a iniciativa contará com atrações também na área rural. Em cerca de dez meses, outra unidade de inclusão digital será inaugurada, agora no campo, e, em outubro, será finalizado o anel de fibra ótica que levará telefonia, inclusive internet ADSL, aos agricultores que ainda sofrem com a falta do serviço.

Na sede da prefeitura, houve uma verdadeira revolução tecnológica nos últimos anos. De acordo com a descrição de Rodrigo Westenhofer, analista de suporte do município e um dos responsáveis pelo Estrela Digital, a situação dos equipamentos há alguns anos era semelhante a um buraco negro. Qualquer sinal de inovação tornava-se invisível, pois era sugado por maus usos. “Era um caos”, resume Westenhofer. Havia muitos fios soltos no chão, máquinas defasadas ou inadequadas ao uso de um órgão municipal. O nobreak, equipamento que evita perda de arquivos no caso de falta de eletricidade, por exemplo, era pequeno para a quantidade de computadores ligada a ele.

EstrelaEm 2005, a situação começa a mudar com a chegada de um “big bang” de investimentos na infra-estrutura tecnológica da cidade. De lá para cá foram investidos por volta de R$ 800 mil nas áreas de tecnologia e inclusão digital, de acordo com a prefeitura. Peças, máquinas e equipamentos periféricos foram comprados e o poder público municipal começou a oferecer serviços aos cidadãos em seu site. Hoje, qualquer estrelense pode imprimir certidões de nada-consta, carnês do IPTU e consultar a situação de suas dívidas com o poder público via internet. Os órgãos também estão interligados, agilizando o processo de comunicação e de tomada de decisões. “Sem os meios necessários e recursos apropriados, a cidade deixaria para trás um amplo leque de opções para aquecer a economia e melhorar os baixos índices sociais”, diz o prefeito.

Um programa em andamento

Para muitos, porém, utilizar os serviços online só passou a ser possível depois da inauguração do telecentro, em dezembro de 2007. O serviço de telefonia na área rural da cidade ainda é precário e, por isso, nem acesso discado à internet era possível. A solução agora é ir ao centro para poder consultar e-mails e checar preços de produtos agrícolas como queijo, leite e ovos no telecentro. Aos que já possuem um laptop, o acesso gratuito em toda zona urbana será uma benesse, pois agilizará as pesquisas e a comunicação. “Além de beneficiar comerciantes”, lembra Rodrigo Westenhofer, que garante que o comércio local está crescendo um função dessas medidas. Alguns bairros já estão iluminados e isso fez a demanda por computadores e peças crescer bastante.

O sinal é fornecido via link de 6 Mbps e distribuído por seis antenas, organizadas em malha. Ou seja, utilizando tecnologia Wi-Mesh. Segundo a secretaria de tecnologia da informação, Estrela funcionará como projeto piloto da D-Link, empresa fornecedora de pontos de acesso, aparelhos que distribuem sinais de rádio que dão acesso à internet. O projeto de iluminação do centro da cidade conta com o apoio das empresas CTK Informática, de Caxias do Sul (RS), e Ynoma, de São Paulo.

A opção de fornecer acesso via rádio apenas à área urbana, de acordo com o Westenhofer, deve-se aos custos de estender o sinal à área rural. “O relevo e as distâncias demandariam investimentos que não podemos fazer agora”, explica. A solução encontrada foi levar cabos de fibra ótica para oferecer acesso via ADSL. O cidadão interessado paga uma taxa de assinatura de R$ 105,00 e mensalidade de R$ 47,16. Em troca, a prefeitura fornece o modem, configura o computador e realiza toda a instalação. O dinheiro arrecadado é usado para pagar a Brasil Telecom, empresa de telefonia que tem contrato com o poder público municipal para oferecer o serviço. Segundo Joel Roque da Silva, responsável pelo setor de telefonia rural da prefeitura, diariamente são feitas quatro assinaturas do serviço.

O aumento da demanda por serviços relacionados à tecnologia da informação levou a prefeitura a fazer um acordo com a escola técnica local para contratação dos alunos do curso de informática como estagiários ou monitores do telecentro. Ou seja, a internet já tem gerado renda para alguns moradores e incrementado a educação local.

Os planos de Estrela incluem aumentar seu brilho. O uso de telefonia via IP está previsto para o ano que vem, assim como o fortalecimento do sinal de rádio para todos os moradores. Outra novidade planejada é a compra de câmeras para fazer o monitoramento da segurança da cidade.

Data: 20 de maio de 2008
Projeto Rede de Dados Externa / Divulgação Projeto Cidade Digital / Divulgação Telecentro de Inclusão Digital / Divulgação Telecentro de Inclusão Digital / Divulgação Telecentro de Inclusão Digital / Divulgação Telecentro de Inclusão Digital / Divulgação

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