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Cidade inteligente passa por vontade política, diz executivo da Oracle

Um dos principais problemas para a execução de projetos de cidades é a vontade política, diz André Papaleo, vice-presidente de Indústrias da Oracle para a América Latina. Em entrevista ao Guia das Cidades Digitais, o executivo falou sobre o crescimento da demanda por esse tipo de serviço no Brasil e apontou os principais vetores e obstáculos para o desenvolvimento de projetos públicos de cidade inteligente.

Apesar de apontar governos como atores chave para o sucesso de uma iniciativa, Papaleo frisa que um projeto passa pelo estabelecimento de parcerias entre empresas, cidadãos e governantes. A união de forças, na análise do executivo, é fundamental para que haja um círculo virtuoso no qual a tecnologia empregada pelo governo atrai empresas modernas, que atraem bons empregados, que geram benefícios para o poder público.

Leia os principais trechos da entrevista.

André Papaleo

Guia das Cidades Digitais: O mercado de aplicações, softwares e hardwares para Cidades Digitais em crescido. Como vê esse movimento?

André Papaleo: O conceito de cidade inteligente não é novo, agora é que está mais em voga e expandindo. Isso por vários motivos, entre eles o fato de haver mais pessoas acessando a internet, principalmente por meio de redes móveis. E não é uma questão apenas do poder público, mas algo que envolve cidadãos e empresas, de pequeno a grande porte. Todos precisam se preparar para isso e se colocar diante dessa realidade.

GCD: O que tem movido essa expansão, além do maior número de pessoas acessando a internet?

Papaleo: Há dois vetores. Um é o estímulo, como o de grandes eventos que vão acontecer no Brasil, como Olimpíada e Copa do Mundo, que trazem investimentos e aceleram a implementação de iniciativas. Outro é a competitividade. Cada vez mais as cidades concorrem para atrair investimentos. Empresários perguntam onde a educação é melhor, onde a interação com o poder público é mais simples, etc. Ao se preparem para receber essas empresas, as cidades se modernizam, e as companhias atraem outras, que reforçam os sistemas. É um círculo virtuoso bastante interessante.

GCD: Projetos de Cidades Digitais muitas vezes envolvem grandes orçamentos. O custo pode ser um problema para pequenos municípios?

Papaleo: Um projeto de Cidade Digital não significa grandes gastos, mas estratégia. Ele não é restrito a grandes cidades, e a Europa está cheia de exemplos disso. Bruxelas e Viena têm menos de um milhão de habitantes e são vistas como exemplos. Não é uma questão de tamanho, com certeza.

GCD: Como as pequenas cidades podem se envolver?

Papaleo: O custo é sempre proporcional ao tamanho do projeto. Grandes cidades têm grandes orçamentos, pois têm estruturas mais complexas. Bons projetos, na verdade, consistem em boas parcerias. Sendo criativa, uma cidade pode executar ótimos projetos a baixo custo. A Oracle, por exemplo, oferece soluções para todos os tamanhos. Tamanho não é problema, a vontade política, sim.

GCD: A vontade política é o maior obstáculo para o desenvolvimento de projetos de cidades inteligentes?

Papaleo: Não posso dizer isso, mas que é preciso engajamento do poder público, dos cidadãos e das empresas. Nova Iorque é um grande exemplo. Os atentados de 11 de setembro foram um grande catalisador para a cidade, fizeram a prefeitura se mobilizar ainda mais e contar com apoio dos moradores e das empresas. Hoje talvez seja a cidade mais inteligente do mundo.

GCD: Como estão as cidades brasileiras nesse contexto?

Papaleo: Estão caminhando muito bem. O fluxo de capital que está aportando no país após a crise mundial é grande, e isso é um incentivo. As grandes cidades estão começando a se movimentar com velocidade. É um caminho sem volta.

GCD: A Oracle oferece às administrações públicas o chamado Service Oriented Architecture (SOA), já disponível para as empresas há tempos. Poderia explicá-lo melhor?

Papaleo: É uma nova maneira de integrar partes heterogêneas de processos de construção de cidades inteligentes. Um processo de abertura de empresas, por exemplo, envolve diversas atividades, como registros e entrega de documentos. Depois de aberta, é preciso ainda cobrar impostos, atualizar licenças, etc. A solução une essas atividades, pois o primeiro passo de uma cidade inteligente é integrar processos para ganhar agilidade.

GCD: Muito se fala das vantagens dos projetos de cidade inteligentes para o poder público. O que ganha o cidadão?

Papaleo: Principalmente transparência. Com as tecnologias, é possível medir a interação com a cidade, para não falar das facilidades. Aqui temos uma série de documentos –identidade, carteira de motorista, título de eleitor –, cada um com número próprio. Na Colômbia, por exemplo, o cidadão tem apenas um registro, que serve para tudo. Isso graças ao uso intensivo de tecnologia. Há ainda facilidades em sistemas de saúde, por exemplo, nos quais ao dar entrada em um hospital a pessoa tem seu histórico registrado, o que facilita o diagnóstico e o atendimento.

GCD: Algumas vezes, os sistemas implementados, apesar de oferecerem facilidades, têm operação complexa. O treinamento e a implementação apresentam problemas? A mão de obra é qualificada o suficiente?

Papaleo: Hoje em dia essa é uma questão superada. O pessoal de tecnologia da informação de pequenas empresas e do poder público em geral é bem qualificado, pronto para receber treinamento e operar sistemas complexos.

Data: 02 de janeiro de 2012
Autor: Marcelo Medeiros

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