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Cidade Comunicadora: como qualificar o uso da rede nas cidades digitais?

Nós, o Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, propomos um questionamento ao Guia das Cidades Digitais e seus leitores: como seria uma cidade digital plena? Esta questão é central em nosso trabalho. Somos uma ONG que propõe avançar as fronteiras do uso público das novas tecnologias a partir de um olhar cultural sobre o fenômeno digital. Para dar conta de nossa pesquisa criamos um conceito novo: Cidade Comunicadora.

Uma Cidade Comunicadora parte do princípio que a questão técnica já está avançada o suficiente para deixar o foco da discussão. Ela entende que as questões físicas de conexão não podem ser protagonistas em um processo que é radicalmente cultural e que consolida a partir do ser humano e não da infraestrutura. Os "tubos e conexões" são apenas o meio para alcançar objetivos de cidadania e democracia, metas que devem ser construídas a partir das demandas e oportunidades locais – não existe um modelo universal, ou mesmo reproduzível, de Cidade Comunicadora.

Estamos em um momento onde é necessário pensar o fim, o uso público da rede e a qualificação deste uso. Como sociedade civil, assumimos a responsabilidade de agregar e avançar questões de políticas públicas digitais que o mercado não tem interesse em desenvolver.

Formamos uma rede com mais de 80 gestores municipais e estaduais, além de acadêmicos e membros da sociedade civil, para propor e amadurecer as questões que abordaremos no evento Cidade Comunicadora - encontro para uma construção colaborativa, a ser realizado dias 30 e 31 de julho, em São Paulo. Será um encontro propositivo. Reuniremos um grupo pequeno de participantes interessados em produzir coletivamente um documento-manifesto pela Cidade Comunicadora, entidade pública hipotética que entendeu o potencial digital desde suas entranhas e a partir delas reinventou sua estrutura. 

Esperamos avançar para superar os modelos atuais de cidades digitais, concepções que se propõe a, em sua maioria, digitalizar serviços já existentes e economizar orçamento via funcionalidades digitais (como VoiP e muitas outras ferramentas de gestão).
Claro que estes usos são necessários e bem vindos, assim como é a disponibilização de banda larga para acesso público, mas estamos levando a discussão para um patamar mais experimental de conceber a Cidade Comunicadora, espécie de Cidade Digital 2.0 radical. Afinal, somos um laboratório. E, nesta condição de entidade pesquisadora, questionamos:

- Como utilizar as novas possibilidades de comunicação para aproximar cidadão e governo? E como compartilhar responsabilidades do poder público com a população? Em outras palavras: como empoderar o cidadão e proporcionar novos meios de acompanhamento e interferência na gestão municipal?

- Como seria uma experiência de transparência administrativa absoluta? 
- Como integrar o desenvolvimento de ferramentas livres públicas à proposta de compartilhamento destes softwares entre as prefeituras?
- Com a era digital, a Educação nas escolas está em crise e precisa ser reformulada desde sua raiz. Qual o novo papel do professor nesse processo? De que forma levar as novas tecnologias para as escolas e construir políticas educacionais a partir destas novas ferramentas?

- Em última instância, como seria reinventar toda uma lógica - obsoleta - municipal e construir cidades mais criativas e inteligentes, a partir da plena utilização do digital? 
Estes são alguns dos desafios que orientam nosso trabalho neste momento. Se você vê sentido nestes questionamentos e quer contribuir com o amadurecimento destas propostas, entre em contato conosco pelo email lab@culturadigital.org.br para participar desta construção colaborativa. 


Mais no www.culturadigital.org.br/site/cidade-comunicadora

Fonte: Laboratório Brasileiro de Cultura Digital
Data: 28 de julho de 2010

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