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Centro-Oeste sofre com falta de infraestrutura e alto custo dos serviços de internet
Expedição WDC visita 27 municípios da região e constata problemas com provedores clandestinos e “venda casada” praticada pelas operadoras. PNBL deve melhorar a situação, afirmam especialistas
Depois de percorrer 27 cidades do Centro-Oeste, a Expedição WDC – que visa radiografar a realidade do acesso da população brasileira à internet – iniciou em 16 de janeiro novo trecho de visitas e pesquisa, agora na região Sul do Brasil. Após rodar mais de 9.000 km, a expedição constatou que os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ainda carecem de oferta de banda larga de qualidade. Os municípios visitados sofrem com a falta de infraestrutura das operadoras para servir os provedores locais, o que reduz a disponibilidade de links e aumenta o valor cobrado pelo serviço.
Ao longo do trajeto, a expedição registrou muitas reclamações com relação às grandes operadoras que oferecem a tecnologia ADSL, que permite a transferência digital de dados em alta velocidade por meio de linhas telefônicas comuns. Houve melhora na comunicação celular e ampliação da cobertura em quase todas as cidades, mas os municípios da região Centro-Oeste ainda dependem dos provedores independentes via rádio.
“[Esses provedores] compram banda dedicada dos operadores, ou montam seus próprios backbones, e conseguem atender a preços mais baixos as classes C e D dessas cidades, com mais personalização dos serviços”, apontam os membros da expedição no blog criado para acompanhar a iniciativa.
Eles observaram que as longas distâncias entre uma cidade e outra dificultam muito o trabalho de levar infraestrutura para a região, mas as taxas de ocupação estão aumentando, e o crescimento econômico baseado no agronegócio tem ampliado a demanda por telecomunicações.
Outro ponto observado durante a expedição foi a consciência da população sobre a importância da internet em suas vidas, o que facilita o processo de sensibilização de gestores, políticos, operadoras e provedores para melhorarem os serviços. Da mesma forma, os prefeitos das cidades visitadas também parecem perceber cada vez mais a importância dos projetos de Cidades Digitais, seja para levar internet nas praças e bairros mais pobres, tanto com a necessidade de monitoramento por câmera nas vias públicas.
Mas as dificuldades ainda são inúmeras. Em Dourados, segunda maior cidade do Mato Grosso, um dos maiores entraves é o domínio do comércio ilegal de equipamentos, provenientes do Paraguai. O mesmo é observado em municípios do Mato Grosso do Sul localizados próximos à fronteira. Já em Campo Grande (MS), o problema maior está na disseminação de provedores clandestinos, que atuam principalmente na periferia. Em Cuiabá (MT), capital que receberá jogos da Copa de 2014, houve reclamações sobre “venda casada” de telefone fixo e internet.
Para os membros da Expedição WDC, o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) deve ajudar muito quando conseguir chegar com sua fibra na região Centro-Oeste.
Sul afora
Na volta do Centro-Oeste para São Paulo, a expedição passou por Presidente Prudente (SP), um bom exemplo de Cidade Digital, segundo os especialistas.
“A cidade tem abundância de infraestrutura, pois chegam várias fibras ópticas de diversas operadoras, e a própria concessionária da rodovia Raposo Tavares está passando suas próprias fibras. Com isso, a cidade está bem servida de banda larga, tanto pelas operadoras de telefonia fixa, que dominam, como pelos provedores via rádio que têm suas redes bem montadas”, contam os membros da Expedição no blog.
As próximas cidades programadas para a etapa Sul da Expedição WDC são: Assis, Ourinhos e Registro (SP); Curitiba, Londrina, Maringá, Campo Mourão, Toledo, Pato Branco (PR); Lages, Florianópolis, Camboriú, Blumenau e Chapecó (SC); Palmeira das Missões, Passo Fundo, Uruguaiana, Bagé, Chuí, Pelotas, Rio Grande, Tavares, Lagoa do Casamento, Osório, Caxias do Sul e Vacaria (RS).
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Data: 24 de janeiro de 2012
Autor: Daniela Oliveira