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Ceará muda modelo de negócios de seu Cinturão Digital

Enquanto implanta seu Cinturão Digital −  2.500 quilômetros de fibra ótica para iluminar com sinal de internet cerca de metade do território estadual, alcançando 83% da população −, o Ceará repensa a estratégia de negócios e planeja um modelo com a participação da iniciativa privada para manter a rede instalada. Lançado em março do ano passado, o Cinturão, que inicialmente ficaria pronto em julho de 2009, tem previsão de conclusão para dezembro deste ano.

"O que estamos fazendo agora é pensar modelos de negócios para garantir a sustentabilidade das redes. Para isso, faremos um workshop de dois dias em agosto, com a participação de consultores do Banco Mundial e outros interessados, para discutir e elaborar esse modelo", diz Fernando Carvalho, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), companhia ligada à Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão que coordena o projeto do Cinturão.

Segundo ele, a Etice já tem um modelo inicial pensado para satisfazer as necessidades de diferentes públicos − cidadãos, que vão querer conectividade; governo, que precisa viabilizar economicamente a rede; iniciativa privada, que tem interesse em operar o Cinturão −, mas pretende melhorá-lo conjuntamente no workshop. "Não é um modelo fechado. Chegaremos com ele e poderemos evoluir dentro do workshop", diz Carvalho.

Carvalho adianta que o governo não pretende participar da manutenção da rede, que teria de ser feita pela iniciativa privada. Desta forma, a própria rede seria mais autônoma, ficando imune a crises e trocas de governo. A ideia é criar uma sociedade de propósito específico (SPE), figura jurídica que permite a união de duas ou mais empresas para executarem um trabalho ou projeto específico.

Inicialmente, está se pensando em fazer a SPE unindo o governo estadual, que seria minoritário, e mais três empresas (ou consórcios de empresas), que receberiam a rede já iluminada, o cinturão, para ser operada. Cada empresa receberia 100 pontos com capacidade de transmissão de dados de 200 Mbps. A ideia de oferecer a três empresas, e não apenas a uma única, é estimular a competitividade. "O modelo jurídico é este. É como se fosse uma parceria público-privada (PPP), com a diferença de que, na PPP, as empresas fazem o investimento, ao passo que aqui o governo já fez o investimento. As empresas entrariam com o custeio da operação", exemplifica Carvalho.

O Estado, neste contexto, seria um dos clientes da SPE, assim como cidadãos e outras empresas, inclusive pequenos provedores e companhias de telecomunicações. As empresas da SPE decidiriam que serviços vão prover através da infraestrutura que teriam para operar. Segundo Carvalho, a expectativa é de que os preços sejam mais baixos para o governo. Ele ressalta que a rede continuará sendo de propriedade do governo − "é uma concessão, como de estrada" −, que teria a liberdade e autonomia de interferir e operar a rede em casos extremos como cartelização das empresas envolvidas no SPE.

Se este modelo for de fato o adotado, após finalizado o Cinturão, em dezembro, será publicado um decreto com as regras da licitação e as condições para as empresas participarem da SPE.

 

O Cinturão

O Cinturão será uma rede de fibra ótica que permitirá a interligação e a conectividade de órgãos públicos estaduais e municipais que estiveram no seu caminho. Inicialmente com previsão de 2.500 quilômetros de fibra, atualmente já está com previsão de mais, indica Fernando Carvalho, presidente da Etice. "Aí não estão incluídos os 125 km dentro de Fortaleza, que já estão instalados, e os cabos de algumas cidades do interior, como Sobral e Tauá, que estão implantando fibra independentemente e, agora, vão se integrar à rede.

Empresas governamentais que colocaram fibra −como a Companhia de Gestão dos Recursos Híddricos do Ceará (Cogerh), que passou fibra pelos canais e açudes construídos para evitar a seca no Estado − também vão integrar o Cinturão", diz Carvalho."Se somar tudo, dá mais de 3 mil km", prevê. Segundo ele, a rede de Fortaleza já está operacional, com secretarias conectadas. O Cinturão cobrirá 300 localidades em 184 municípios.

Data: 16 de junho de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar

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