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Brasileiros usam menos serviços de governo eletrônico
Pesquisa anual do Comitê Gestor da Internet mostra que percentual de brasileiros que já utilizaram algum serviço público na rede mundial de computadores caiu de 2009 para 2010. Mudança se deve ao perfil de usuários, diz estudo
O percentual de brasileiros que utilizam serviços públicos na internet, como consulta a impostos ou informações sobre o governo, caiu de 2009 para 2010, de acordo com a pesquisa anual de Tecnologias da Informação e Comunicação em Domicílios (TIC Domicílios) do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), divulgada em 30 de agosto. O estudo mostra ainda que o uso desse tipo de serviço está ligado diretamente à renda e à escolaridade dos cidadãos, que, em sua interação com o governo, fazem mais consultas simples do que estabelecem diálogos.
De acordo com a pesquisa, se em 2009 27% dos brasileiros com acesso à rede mundial de computadores utilizou algum tipo de recurso de governo eletrônico, em 2010 o percentual diminuiu para 23%.
Nos recortes feitos de acordo com a zona (urbana ou rural), a disparidade é a mesma: no ano passado, 26% da população da área urbana com 16 anos ou mais fizeram uso de pelo menos um serviço de governo eletrônico, patamar inferior ao verificado em 2009, 30%. Na área rural, a queda foi de três pontos percentuais – de 10% para 7%.
Verificado desde 2005, o índice volta, em 2010, ao patamar dos anos anos anteriores, em torno de 25%, apesar de o número de usuários brasileiros ter aumentado significativamente no período (o percentual de residências com internet praticamente dobrou). Segundo os autores do estudo, esse fato sugere que o uso do governo eletrônico varia de acordo com o perfil do internauta brasileiro, que se alterou bastante nos últimos seis anos.
Assim, faz mais uso de serviços públicos oferecidos pela internet, a parcela da população mais escolarizada, rica e jovem – 64% dos que ganham mais de dez salários mínimos por mês estabeleceram algum tipo de relação com o governo por meio da net, contra 15% dos que ganham até dois salários mínimos. O percentual é semelhante ao relativo à escolaridade – 66% dos usuários com ensino superior utilizam governo eletrônico, frente a 10% dos que completaram apenas o Ensino Fundamental.
A explicação para os baixos percentuais não está ligada somente à falta de computadores nas residências menos abastadas. A falta de uso de governo eletrônico é também uma questão cultural, pois 46% os internautas não utilizam serviços públicos pela internet por preferirem o atendimento presencial. Há ainda a preocupação com a segurança dos dados (14%) e a dificuldade em contatar a administração pública por meio da internet, reclamação de 9% dos entrevistados.
O perfil de uso dos serviços revela pouca interação. A grande maioria (41%) consultou o CPF, inscreveu-se em concursos (37%) e buscou de informações sobre serviços de educação (34%).
A TIC Domicílios aponta percentuais menores do que os apurados pela pesquisa voltada somente para captar a percepção dos brasileiros em relação ao governo eletrônico divulgada também pelo Cetic no final de 2010. Esta, que utilizou uma amostra menor e apenas urbana, apontou que 35% da população brasileira utiliza serviços públicos via internet.
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Data: 31 de agosto de 2011
Autor: Marcelo Medeiros