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Big Data é oportunidade para o setor público

Fábio Elias (*)

Como o setor público pode enfrentar o desafio de gerir o grande volume de informações provenientes de diferentes órgãos, instituições e redes sociais para identificar necessidades e aperfeiçoar os serviços e a comunicação com os cidadãos? 

Diversas esferas e instituições governamentais têm na gestão e análise do grande volume de dados gerados diariamente por diferentes meios, como órgãos, instituições independentes, ONGs, mídias e redes sociais, entre outros, um grande desafio. Mas este cenário também traz uma excelente oportunidade para entender melhor as demandas e os temas relacionados com os serviços prestados à população.

Na prática, alguns órgãos federais, estaduais e municipais já despertaram para os benefícios da gestão do chamado Big Data e já têm utilizado ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) para tentar decifrá-lo e tornar seu uso cada vez mais efetivo. Mas ainda existe muito a ser aproveitado e realizado para converter os investimentos em melhorias efetivas nas áreas de gestão tributária, de saúde, de educação e de segurança, entre outras.

Apesar de o Brasil ser uma referência na adoção de tecnologias no setor público, com exemplos bem-sucedidos, como a inovação na declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física on-line e com a realização das eleições por meio de votos eletrônicos, existem hoje novas soluções analíticas fundamentais para auxiliar o governo a aperfeiçoar a administração pública. 

Hoje, a maioria dos sistemas é informatizada e a população está cada vez mais conectada a diferentes mídias e nas redes sociais. Com isso, o volume de dados gerados dia a dia é gigantesco, o que exige imediatismo na coleta e armazenamento das informações, integração de muitas fontes e tecnologias, bem como uma infraestrutura robusta para analisar e separar o joio do trigo. O valor agregado está na identificação e classificação as informações essenciais para a tomada de decisões.

É claro que já existe um parque tecnológico eficiente no setor público brasileiro, mas com a evolução tecnológica e com a pressão constante da população por melhores serviços, os gestores precisam estar atentos à adoção de novas soluções capazes de integrar os sistemas legados, com amplo potencial analítico. Isto porque gerir o “Big Data” significa entender e atender melhor os cidadãos, adotar processos e ações mais eficazes a curto, médio e longo prazo, ter maior controle e reduzir os custos.

Ao monitorar e avaliar as informações do Big Data é possível, por exemplo, identificar a necessidade de oferecer novos meios para autoatendimento para facilitar o acesso e diminuir o tempo gasto pelo cidadão para resolver questões diversas, conferindo mais eficiência e transparência aos processos governamentais. Outra possibilidade é identificar as áreas mais carentes por determinados serviços e alocar melhor os recursos, inclusive os humanos. 

A área de transportes também conta com outro exemplo. Nela as análises permitem monitorar o deslocamento das pessoas dentro de um determinado perímetro, o que auxilia no dimensionamento das carências e no planejamento urbano do trânsito. Já em segurança pública auxilia na avaliação dos índices e das regiões nos quais há maior ocorrência de crimes, contribuindo para que as autoridades decidam, por exemplo, onde e como é melhorar a iluminação, instalar câmeras e executar diferentes ações para mitigar as ocorrências.

Se aplicada à área de saúde, a gestão do Big Data pode contribuir para a realização de pesquisas e análises de efetividade dos medicamentos, como ocorre no National Cancer Institute (NCI) Frederick National Laboratory, nos EUA, ou para realizar o planejamento dos programas de saúde a serem adotados por região, município, estado ou país. Com estas soluções é possível, por exemplo, identificar a necessidade e programar tratamentos preventivos para diferentes extratos da população (idosos, gestantes, crianças) ou regiões nas quais são necessários mais hospitais, postos de saúde, medicamentos, etc. 

A gestão deste gigantesco volume de dados é uma das mais valiosas oportunidades para o aprimoramento nos mais diversos setores. Na educação, é fácil enxergar as oportunidades para melhorar a avaliação dos estudantes, das diferentes salas de aula, da escola como um todo, bem como a programação das disciplinas regulamentares, o acompanhamento do desempenho, entre ouras ações. É viável inclusive utilizar as informações para incrementar as atividades culturais, políticas, econômicas e sociais.  

Enfim, os exemplos são múltiplos. Mas a principal mensagem é que com a gestão do Big Data, os governos passam a ter condições mais favoráveis para unificar os sistemas, analisar melhor os dados, cruzar diferentes indicadores em diversos formatos para definir mais assertivamente seus objetivos e estratégias para aperfeiçoar o atendimento aos cidadãos, propiciar mais bem-estar à sociedade e contribuir para o desenvolvimento do País como um todo.  

(*) Fábio Elias é diretor de Arquitetura de Soluções de Tecnologia e Big Data da Oracle do Brasil

Data: 29 de abril de 2013

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