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Belo Horizonte planeja rede totalmente sem fio

É ousada a proposta de Belo Horizonte (MG): conectar toda a cidade por rede sem fio e ser a primeira capital inteiramente interligada com este tipo de tecnologia. E a implantação estará completa até fins de 2008. É isto que promete o projeto BH Digital, com orçamento total de R$ 4,5 milhões. Ao que tudo indica, a promessa será cumprida: já foi feita a licitação de torres, antenas e rádios, e metade dos pontos públicos de acesso à internet previstos já estão instalados, ainda que temporariamente via cabo.

Do total do orçamento do projeto, R$ 3,742 milhões vieram de um convênio firmado com o Ministério das Comunicações, ficando a prefeitura responsável pelo restante. A Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel) é a gestora do projeto. A intenção é interligar por redes sem fio todas as mais de 160 escolas fundamentais e 180 centros de saúde do município, atualmente já conectados via cabo, e também 300 pontos de acesso públicos e livres, entre eles ONGs, telecentros e associações comunitárias.

"Dos 300, já há 156 instalados. E já temos uma longa lista de solicitantes", conta Silvana Veloso, diretora de inclusão digital da Prodabel. Ela explica que, para serem instalados estes pontos de acesso público, é feita uma análise prévia, observando aspectos técnicos e de segurança dos equipamentos. A partir do momento que recebe equipamentos e conexão, o local tranforma-se em um Posto de Internet Municipal (PIM). Os que também agregarem capacitação ou outros serviços, viram telecentros. "Dos 156 pontos públicos de acesso, 20 são telecentros e os restantes, PIMs", especifica Silvana.

 

 

Projeto já iniciado

Todos eles estão conectados à rede mundial de computadores via cabo, assim como as escolas e centros de saúde municipais. O próximo passo é instalar redes sem fio em todos estes locais. Para isso, já foram feitas licitações para compra e instalação das 11 torres transmissoras e 300 antenas receptoras. Para cumprir a meta de interligar todos os 331 quilômetros quadrados da cidade com rede sem fio, será utilizada tanto tecnologia Wimax quanto Mesh [ver Dicionário de termos técnicos para entender Wimax e Mesh].

Dessa forma, já foram feitos dois pregões para compra de rádios. A WNI do Brasil fornecerá 250 CPEs, 40 rádios Wimax ponto-a-ponto e 70 ponto-a-multiponto, com valor total de R$ 1,155 milhão. Os rádios Mesh saíram por R$ 223 mil, vendidos pela Proxim Wireless e sua integradora local Khrons. Para outros itens, os processos de aquisição ainda estão sendo concluídos.

A tecnologia Mesh será usada especialmente nos parques e praças municipais, segundo Silvana. "Escolhemos alguns parques e praças para oferecer acesso livre e gratuito. Nestes locais, o sinal terá 300 metros de diâmetro", esclarece a diretora de inclusão digital da Prodabel. Os locais escolhidos são: Parque Municipal (em fase de testes); Praça da Liberdade; Praça da Rodoviária (já em funcionamento); Complexo do Mineirinho e Mineirão (em fase de testes); Parque da Pampulha e Parque das Mangabeiras.

Inclusão digital

Além de impulsionar a criação de novos projetos de inclusão digital, a rede sem fio vai ajudar a otimizar os já existentes, integrando tudo no BH Digital. Entre as iniciativas já em andamento, destaca-se a Carreta de Inclusão Digital. Equipada com duas salas de aula, cada uma com sete computadores ligados à internet, a Carreta é um ponto itinerante de capacitação e inclusão digital. Fica parada 15 dias em cada local, normalmente em bairros da periferia e perto de escolas e postos de saúde, “pontos de atendimento e comunicação da prefeitura com a população”, explica Silvana.

Durante o período em que a Carreta fica no local, a população pode se inscrever para aprender a acessar a internet ou para ter aulas de informática básica, ao final das quais recebem certificado. "Desde maio de 2005, quando a Carreta começou, 6 mil pessoas já se formaram em informática básica e 40 mil aprenderam acessar a internet", orgulha-se Silvana.

Já nos telecentros, foram contratados e treinados 87 jovens de 16 a 24 anos para serem monitores dos espaços. Eles fizeram cursos de manutenção e reparo de micros, impressoras e monitores. "Além de poderem ensinar a população, eles próprios ficam preparados para o mercado de trabalho", observa Silvana. Com o desenvolvimento do BH Digital, a intenção é promover novos cursos de capacitação de pessoal, ensinando e estimulando os gestores dos espaços de inclusão digital não só a realizar cursos de acesso à internet e de informática básica, mas também a dar orientação sobre serviços municipais, estaduais e federais.

Serviços

O BH Digital ajudará a impulsionar também o uso dos 56 serviços on-line que a prefeitura oferece atualmente. É possível fazer desde "pedido de poda de árvore até segunda via de IPTU", exemplifica Silvana. Com uma rápida visita ao site da prefeitura - www.pbh.gov.br
- é possível atestar também que os editais de licitações e pregões estão disponibilizados e que é possível pedir e acompanhar os processo de alvará de localização e funcionamento.

Atualmente, está em curso na prefeitura um projeto para reunir todos estes serviços em um único portal, facilitando o acesso dos cidadãos. Está tudo explicado neste site: www.pbh.mg.gov.br/projetoinventario. Segundo Silvana, será firmado um convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio da Faculdade de Ciência da Informação, ainda sem data prevista. "A idéia é ter em um só local tudo que hoje é picado", resume Silvana.

 

Data: 25 de janeiro de 2008

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