Por que ser uma Cidade Digital » Experiências de sucesso » Banda larga gratuita para as áreas urbana e rural

Campo Bom “ilumina” toda a cidade

 

O pequeno município de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, acaba de inaugurar seu projeto de cidade digital. A última etapa  foi completada na  sexta-feira, 12 de setembro, quando toda a cidade passou a ser “iluminada” com sinal que disponibiliza internet banda larga  a todos os cidadãos, gratuitamente. 

“Finalmente conseguimos”, comemora Miguelito Medeiros, coordenador de Comunicação Social do município de 60 mil habitantes da Grande Porto Alegre, e um dos responsáveis pelo projeto. 

A alegria do funcionário da prefeitura deve-se ao fato de que a meta da iniciativa foi ultrapassada logo no lançamento. Quando o Guia das Cidades Digitais ficou sabendo do projeto da cidade gaúcha, a informação, confirmada pela prefeitura, dizia que apenas a parte mais central do município seria coberta pelo sinal. Após muitos testes − e alguns problemas, como a falta de know-how  dos técnicos em implementar um projeto desta envergadura −, os técnicos conseguiram expandir o sinal para toda a cidade, inclusive sua zona rural.

O sinal é disseminado via quatro links de 250 Kbps espalhados pela cidade. Dada a projeção de maior demanda, o poder público municipal já está planejando aumentar a capacidade da rede de tráfego de dados. Desde o desenho até o fim da execução, o projeto levou oito meses.

O acesso se dá sem senha, mas alguns sites têm acesso vetado. Entre eles, os de conteúdo pornográfico ou erótico. “Se o sujeito quiser ver mulher pelada, que pague por sua conexão. Nosso projeto foi pensado para dar informação e serviços ao cidadão”, argumenta Medeiros.

Além de moradores, agora estão conectados à rede mundial de computadores oito escolas e 14 postos de saúde. Para o fim do ano, a prefeitura promete prover as demais 12 unidades de ensino municipais de máquinas capazes de acessar a internet e ter o mesmo número de laboratórios de informática para que os alunos possam utilizar a nova tecnologia. Atualmente, há nove espaços deste tipo na cidade, alguns conectados via wi-fi, outras via cabo, dependendo da viabilidade disponível no momento da inauguração. Há também o Centro de Educação Integrada, espaço que reúne quatro mil estudantes com acesso à internet.

Democracia digital

Da mesma forma que na rede municipal, o acesso a determinados sites também é fechado nas escolas.  A prefeitura considera que a experiência com telecentros não funcionou como o desejado, dada a falta de orientação aos usuários. A grande reclamação era em relação ao uso do espaço. “Muito tempo era gasto com bate-papo e pouco com educação”, critica Medeiros. “Os telecentros acabaram virando lan houses públicas, e não é isso o que queremos.”

Segundo o representante da prefeitura, a idéia é ir além da inclusão digital, ou seja, dar acesso a tecnologia a quem não tem condições de adquiri-la e fortalecer o conceito de “democracia digital”. Este se refere ao uso da internet para serviços públicos e participação popular no governo.

Foi pensando nisso que a rede municipal de saúde foi integrada. Na área, além dos 14 postos de atendimento, o centro materno-infantil está ligado à rede mundial de computadores. As unidades possuem uma central eletrônica de marcação de consultas e uma intranet para a geração de prontuários eletrônicos. Desta forma, o histórico do paciente é identificado mais facilmente, e há menos burocracia e mais qualidade no atendimento.

Outros serviços oferecidos são o IPTU, a nota fiscal e as certidões eletrônicas, que têm aumentado a arrecadação do poder municipal. Segundo a prefeitura, a possibilidade de emissão de comprovantes de pagamento via internet fez o faturamento relativo a impostos sobre serviços crescer cerca de 12%.

 

Data: 15 de setembro de 2008
Autor: Marcelo Medeiros

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