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Banda Larga cresce 30,5% no Brasil, mas abismo digital continua

Mesmo com um incremento de 30,5% no número de conexões de banda larga no Brasil – 8,1 milhões, de acordo com dados da oitava edição do Barômetro Cisco/IDC da Banda Larga, divulgados em 05/03, o serviço ainda está muito distante do cidadão comum do País, e apesar também da alta venda de PCs, que colocou o Brasil no terceiro lugar no ranking mundial.
 
Na região Nordeste, por exemplo, apenas 0,8% da população tem acesso ao serviço.  Na região Norte, esse número sobe para 2,2%. No Centro-Oeste, fica em 4%, e nas regiões Sul e Sudeste elevam um pouco mais, variando entre 5% e 7%. No total, a penetração brasileira de banda larga terminou 2007 na faixa dos 4%, percentual que coloca o país atrás da Argentina, que no terceiro trimestre do ano passado tinha um percentual de 5,3%.

No estudo, ainda dentro da distribuição geográfica - o que revela o grande fosso digital do país - o Estado de São Paulo, o pólo econômico, continua sendo a região de maior consumo da banda larga, com uma penetração de 40,2%. A diferença entre as regiões é um fato constatado pelos elaboradores do barômetro, e a redução do abismo é uma meta a ser perseguida.

No entanto, avaliam Cisco e IDC Brasil, o incremento de 30,5% no número de conexões de banda larga em 2007 deve ser considerado como expressivo, mesmo que mantenha o fosso digital entre as regiões. A banda larga móvel  - nas redes 2,5 e 3G - desponta como uma opção de curto prazo para minimizar as diferenças.

"A 3G poderá vir a fazer a diferença em 2008. As operadoras móveis serão um player definitivo e virão com preços atrativos e com uma cobertura, observando a rede 2,5G, com grande capilaridade. Elas podem levar a conexão para municípios ainda não-atendidos. Teremos que esperar a criatividade das operadoras, mas haverá uma disputa entre móveis e fixas", afirmou Pedro Ripper, presidente da Cisco Brasil, empresa que, desde 2005, contrata o serviço da IDC para avaliar a expansão da banda larga no país.

A expectativa com relação à oferta móvel - via dispositivo sem fio, e não no próprio celular - é tanta que o Barômetro prevê que, nos próximos dois anos, de 1,5 milhão a 3 milhões de novos usuários de banda larga surgirão no país, isso numa visão conservadora.
 
"Poderemos ver, caso as operadoras móveis percebam que o serviço de voz delas não será canibalizado, até uma maior valorização do serviço de acesso. O desafio das teles é que elas têm de atender o consumidor de duas pontas bastante diferenciadas - a do topo da pirâmide, que pode e quer pagar por melhores aplicações, e o da base, que nunca contratou o serviço e poderá ter acesso a uma banda larga permanente, mesmo que em velocidade entre 128 Kbps e 256 Kbps, muito melhor do que a conexão discada, hoje utilizada", destacou Ripper.

O estudo apurou que, em 2007, a banda larga móvel atingiu 602 mil assinantes, a maior parte deles na rede 2,5G, e com velocidades média de 100 Kpbs. Um dos grandes apelos, na visão de Roberto Gutierrez, analista da IDC Brasil, para o sucesso do produto foi o custo baixo das promoções iniciais - o download de 40 Megabytes chegou a custar R$ 9,90, com o subsídio do modem USB, um preço compatível com a realidade do consumidor que incrementou o consumo de PCs no Brasil: a nova classe C, ou seja, mais de 20 milhões de pessoas que vieram da classe D e, com a estabilidade econômica, puderam comprar o primeiro microcomputador.

O número obtido no quarto trimestre de 2007 na base de usuários de banda larga, via operadora móvel, é bastante representativo porque ele revela um incremento de 124% em relação ao terceiro trimestre, quando o levantamento Cisco/IDC começou a considerar a modalidade.

"As ofertas estavam até então muito concentradas no mercado corporativo, mas com a entrada do produto da TIM  (em julho do ano passado - o TIM Web) para o consumidor final, as concorrentes também seguiram a estratégia. Além disso, em dezembro, a Claro já lançou o serviço 3G, em 850 MHz, em seis capitais", observou Gutierrez, da IDC.

Segundo o analista, mesmo não considerando no balanço divulgado no dia 05/03,os números já observados pela consultoria junto às teles revela que janeiro e fevereiro foram de grande relevância na parte da venda de banda larga móvel. "Não tenho dúvida que teremos um resultado bastante expressivo no primeiro trimestre de 2008, mesmo sem a 3G oficial em todas as operadoras", completou Gutierrez.

O resultado dos últimos seis meses da banda larga móvel pode explicar boa parte do incremento de 34% registrado no consumo da banda larga na faixa de 128 Kbps a 256 Kbps, considerada baixa para os padrões da maior parte das aplicações, mas muito acima do ofertado, atualmente, na conexão discada.

"Temos que levar em conta que esse é um serviço de conexão permanente. Não há o perigo de a linha cair. O usuário percebe uma melhoria evidente no serviço, além de ter um produto que cabe nas suas contas do mês", completa o presidente da Cisco Brasil.

A expectativa é tanta diante do momento brasileiro - a oferta da 3G e de uma expansão da cobertura por parte das fixas - que a Cisco reviu a meta estabelecida em 2005, no início do estudo, para 2010, que era do País chegar a 10 milhões de conexões. Agora, o número estimado subiu para 15 milhões, sendo 12 milhões de conexões fixas e três milhões de conexões móveis.

Fonte: Convergência Digital
Data: 05 de março de 2008
Autor: Ana Paula Lobo

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