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Baixada, finalmente, digital

Depois de um ano e meio de expectativa, o projeto Baixada Digital, do governo estadual do Rio de Janeiro, parece estar de fato em vias de se tornar realidade, trazendo ainda a promessa de um portal de conteúdo próprio de e para as comunidades envolvidas. Previsto para ser inaugurado no dia 28 de setembro, a licitação de equipamentos do Baixada Digital já foi realizada e o mapa (ao final da página) de cidades a serem inicialmente atendidas, junto com o cronograma, já foram divulgados pelo governo fluminense.

Seis municípios - Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis - receberão primeiro o sinal de internet do projeto, que chegará a um total de 11 cidades e atingirá estimadas 2,7 milhão de pessoas. "O impacto social pode ser inimaginável. Trata-se da experiência mais ampla e densa e concentrada de oferecimento de banda larga gratuita até hoje na América Latina", anima-se o subsecretário estadual de Ciência e Tecnologia, Julio Lagun.

O Baixada Digital é ideia antiga no governo estadual. Lançado pela primeira vez em janeiro de 2008, com a promessa de estar operante no segundo semestre do ano passado, o projeto acabou sendo adiado por, segundo informações oficiais, questões burocráticas relativas ao repasse de verbas para os 11 municípios previstos. O maior envolvimento da Universidade Federal Fluminense (UFF), que já estava na coordenação técnica (o responsável é o professor Franklin Coelho, coordenador do projeto de Piraí, considerado referência na área), ajudou a resolver o problema. Assim, o governo fluminense promete agora a primeira fase do projeto para setembro e a segunda, para o final deste ano.

A licitação de equipamentos para o Baixada Digital foi feita dentro de um lote maior, no valor de R$ 31 milhões, com compras para diversos objetivos e projetos. As máquinas relativas exclusivamente a esse projeto custaram R$ 3 milhões e foram adquiridas com o dinheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), de onde vêm os recursos para financiar o projeto.

Com uma rede atendendo a diversas cidades e um público de quase 2 milhões de pessoas, qualquer falha ou ausência de sinal pode ter grande reverberação. Por isso, assegura Lagun, foram incluídos nas licitações contratos já com a previsão de prestação de serviços de suporte, manutenção e assistência. "Não acredito que vamos ter problemas de ordem técnica. Estamos atentos, no entanto, à taxa de utilização por parte das pessoas, pois não sabemos qual vai ser. Não há histórico de iniciativas semelhantes; temos estimativas, apenas", comenta o subsecretário, atento ao quanto de horas e bytes as pessoas vão utilizar diariamente.

Para ele, este é o aspecto mais importante, até para avaliar o tipo de utilização e poder, assim, ajustar conteúdos a serem usados e inseridos na rede. "O Baixada Digital pretende ser inclusivo, para as diferentes partes da cidade terem acesso. Permeando tudo isso está a capacitação", avalia Lagun, adiantando que o governo do estado está estruturando um portal de conteúdo para ser associado ao projeto. "Estamos fazendo o rascunho e deve estar pronto no final do ano", adianta o subsecretário.

Segundo ele, a estratégia é, primeiro, criar a cultura de acesso à internet, ao disponibilizar o sinal, e depois realizar uma experiência em massa de capacitação, que seria o passo seguinte, após a instalação da infraestrutura. "Pretendemos colocar todo nosso pacote de ensino dentro da rede. Estamos fechando os conteúdos, incluindo alguns de ensino técnico, para capacitação profissional, que devemos disponibilizar em sete ou oito fases", revela Lagun.

A ideia para o futuro é permitir que as próprias comunidades produzam seus próprios conteúdos e, assim, estimular a comunicação entre elas. "Estamos propondo uma nova lógica social e cultural de relacionamento, que pode significar uma tremenda alavanca", planeja o subsecretário. O portal não será apenas para o Baixada Digital, mas sim de todo o projeto Rio Digital, no qual estão inseridas também as iniciativas de banda larga nas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon (Orla Digital, coordenado pela PUC-Rio) e nas favelas de Cidade de Deus e Santa Marta (coordenados pela Coppe-UFRJ). Até o final de 2009, o governo promete levar infraestrutura de banda larga também à Avenida Brasil e comunidades adjacentes, beneficiando mais cerca de 500 mil pessoas.

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Mapa:

Data: 25 de agosto de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar

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