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Aposta em redes de fibra ótica para difundir ensino e pesquisa

Na Paraíba, começou a corrida para garantir a implantação de recursos digitais visando o desenvolvimento local. A Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e do Meio Ambiente (Sectma), com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), trabalha em três projetos de construção de segmentos de fibra ótica. As redes integrarão as unidades de ensino superior e pesquisa e as instituições públicas e privadas do Estado que aderirem às iniciativas. O objetivo é garantir o intercâmbio do conhecimento por toda a Paraíba, começando pela região metropolitana de João Pessoa e Campina Grande até chegar ao interior.

Mário Assad, coordenador da implantação das redes, defende que os projetos são o momento inicial de uma grande possibilidade de investimentos. A expectativa é que, concluída a estrutura de fibra ótica, outros recursos possam ser agregados. “A rede oferece uma seqüência enorme de aplicação de tecnologias, que são utilizadas em prol da população. Queremos provocar a convergência das tecnologias digitais”, afirma.

A proposta é que os usuários dos recursos arquem com sua sustentação e manutenção. “Para cada projeto, temos um consórcio que reúne iniciativa privada e governos estadual e municipal. Esse sistema não é fechado. Na medida em que a rede avançar, outras instituições poderão fazer parte. Acomodaremos diferentes interesses”, explana Assad, também professor do Departamento de Física do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Unindo as metrópoles

A primeira ação em desenvolvimento é a implantação de anel ótico na região metropolitana de Campina Grande, a Rede Metro – CG. A iniciativa, de acordo com o coordenador, é parte das  Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), através da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Assad explica que o projeto utiliza postes convencionais de distribuição de energia elétrica em área urbana. “Essa estrutura dará suporte para a instalação de cerca de 50 km de cabos óticos com 36 fibras, atendendo a 30 sites dos organismos consorciados”, conta.

O próximo projeto a ser iniciado prevê a construção da rede na região metropolitana de João Pessoa e sua interconexão com a Metro – CG. “Instalaremos 140 km de cabos óticos de 24 fibras no segmento interurbano em dutos de propriedade da Companhia Paraibana de Gás (PB-Gás). Além disso, outros 50 km de cabos óticos de 48 fibras serão implantados na região metropolitana de João Pessoa, também em dutos da PB-Gás. Planejamos ainda a instalação aérea, utilizando postes de distribuição de energia elétrica”, adianta Assad. 

A idéia inicial é que a conexão entre a capital e Campina Grande privilegie a difusão da produção de conhecimento entre as principais metrópoles da Paraíba. “A proposta é integrar todas as instituições de ensino e pesquisa, que passarão a ter um projeto de colaboração para intercâmbio de ciências. Queremos que uma aula ou seminário realizados em João Pessoa possam ser assistidos em tempo real em Campina Grande”, exemplifica o coordenador.

A administração estadual também poderá se beneficiar da iniciativa. Segundo Assad, uma das possibilidades é a interligação de suas unidades administrativas em João Pessoa e Campina Grande através da implantação de serviços de voz. De acordo com o coordenador, as duas cidades representam cerca de 70% da máquina administrativa do Estado. “A adesão ao projeto implica significativa redução de custos de telecomunicações”, analisa.

Aproximando o interior

A rede que interiorizará a estrutura de fibra ótica deverá atingir 19 municípios do interior da Paraíba. O terceiro projeto é uma iniciativa da Sectma com o apoio financeiro do MCT e suporte da RNP. “Promoveremos a interconexão de 80% das unidades de ciência e tecnologia existentes no Estado com a implantação cerca de 800 km de cabos óticos de 24 fibras”, afirma Assad.

Ele explica que o objetivo é possibilitar a sinergia entre as instituições de ensino e pesquisa e a demanda de tecnologia no mercado. Uma das propostas é aproximar centros consorciados e pequenos fabricantes do interior, para assim melhorar a produção. “Poderemos transferir tecnologia para os produtores menores. Um fabricante de material de limpeza no interior poderá conversar diretamente com um químico qualificado via teleconferência”, ilustra, acrescentando que a telemedicina e a educação a distância são outros benefícios esperados.

O professor da UFPB fala dos planos para a finalização da montagem das estruturas. “A rede de Campina Grande deverá estar concluída nos primeiros meses de 2009. O projeto de João Pessoa e o segmento de interconexão com Campina Grande serão finalizados no segundo semestre do ano que vem. Já a iniciativa para interiorização da rede tem um prazo de três anos para a implantação dos quilômetros de cabos óticos planejados”, conta o coordenador.

Apesar das previsões para concluir a implantação dos recursos de cada projeto, Assad defende que ainda há muito trabalho a ser executado. “A simples existência da espinha dorsal ótica em âmbito estadual viabiliza a realocação de recursos públicos, transformando o custeio de telecomunicações em investimentos. Captaremos novos recursos através de novas parcerias com o governo federal e a iniciativa privada. Tudo isso será feito em prol de um projeto mais amplo, o Paraíba Digital, que comportará várias iniciativas e está previsto para ser lançado oficialmente em novembro”, finaliza.

Data: 30 de outubro de 2008
Autor: Gabriela Bittencourt

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