Santos aposta em fibra ótica para modernizar e digitalizar a cidade
A cidade litorânea e portuária de Santos (SP), de quase 450 mil habitantes, vem apostando na fibra ótica para modernizar e digitalizar sua estrutura, seus serviços e suas formas de comunicação. O projeto santista é um desdobramento de uma iniciativa anterior do governo municipal, com foco em segurança pública: com recursos do Banco do Brasil da ordem de R$ 1,5 milhão, havia sido instalada uma rede de alta velocidade, à qual foram ligadas 28 câmeras IP de monitoramento de segurança.
A partir daí surgiu a ideia de montar uma rede própria, para a totalidade de serviços e unidades da cidade. O ponto de virada foi, então, a criação do anel de fibra ótica de 25 quilômetros, em 2007, com investimento de mais R$ 1,2 milhão. Os recursos vieram do Programa de Modernização da Administração Tributária e gestão dos setores sociais básicos (PMAT) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ajudaram a adquirir também os servidores e demais equipamentos que formam o Centro Integrado de Monitoramento (CIM), o datacenter que gerencia e controla toda a rede. Assim se criou a infovia municipal de Santos, que chegou a ser finalista no Prêmio Conip em 2008, na categoria Cidade Digital.
Além do primeiro anel principal, que tem banda de 1 Gbps, um segundo anel central está sendo montado. Atualmente com 10 quilômetros já instalados, o novo anel também nasce com 1 Gbps. A intenção é em breve, possivelmente até 2010, ampliar a capacidade dos dois para 10 Gbps. O CIM, localizado no Paço Municipal, é um dos sete pontos de presença (POPs) da rede, locais que recebem e redistribuem o sinal, também via fibra, para unidades municipais próximas. Há ainda os que ficam situados no pronto-socorro da Zona Leste, no Centro Municipal de Inclusão Digital e no Centro de Tráfego, entre outros pontos.
Rede convergente
"Saímos de 500 metros de fibra ótica, em 2004, para 40 quilômetros, em 2008. Quase 15 deles saíram de recursos próprios ligando essa infovia. A intenção foi gerar uma rede convergente, onde trafegassem dados, no primeiro momento, e no futuro Voz sobre IP", diz David José Gomes, diretor do Departamento de Modernização Administrativa e Gestão da Tecnologia da Informação da Secretaria de Governo.
Segundo Gomes, há atualmente quase 4 mil computadores na rede da prefeitura; 1.200 deles estão em escolas ou projetos de inclusão digital. Dos 238 prédios da prefeitura, os 25 principais (que concentram diversas unidades e departamentos, como é o caso do prédio de seis andares da prefeitura) já estão conectados à infovia. O restante recebe sinal de internet através de contratos com a companhia telefônica local. Wi-Fi é usado somente em último caso, por exemplo, para conexão de ilhas de pescadores distantes do centro da cidade.
A opção santista é abertamente pela fibra ótica. "O objetivo é chegar com fibra em 98% das unidades públicas municipais. Os outros 2% serão conectados via rádio", diz Gomes. Segundo ele, a fibra ótica foi escolhida pela demanda da rede convergente de dados, voz e imagem de alta qualidade. Aplicações como educação à distância, na Secretaria de Educação, monitoramento remoto de segurança e tráfego, telemedicina e VoIP estão previstas no projeto de Santos.
"Temos 77 unidades de educação (cerca de 40 colégios de Ensino Fundamental e 30 creches) e 57 unidades de saúde. Há um interesse grande de monitoramento predial, com duas a três câmeras por prédio. A área de saúde terá a necessidade de transmissão de imagens de exames. A parte de geoprocessamento também é um sistema muito pesado", diz o representante do Departamento de Modernização Administrativa e Gestão da Tecnologia da Informação.
No que concerne atividades de inclusão digital, a cidade conta com um laboratório de informática em cada escola pública municipal, para uso dos estudantes. Além disso, há mais sete centros de inclusão digital. O maior deles (onde funciona um dos POPs) tem aproximadamente 150 computadores e realiza um projeto premiado de capacitação de pessoas da terceira idade, o Vovônauta.
Paralelamente, Santos tem atualmente três hotspots sem fio, que funcionam sem utilizar a infovia municipal, por razões de segurança. O sinal vem da companhia telefônica local. Um fica no centro, na Praça Mauá. Os outros ficam na orla da praia: um no emissário submarino, centro de esporte e lazer local; o segundo na Fonte do Sapo.
Ampliação do projeto demandará R$ 15 milhões
Até 2010, todos essas atividades e projetos devem ser ampliados. E tudo acontecerá em um processo só. A partir dos dois anéis principais de fibra ótica, serão criados 22 novos anéis secundários, cada um de 1 Gbps de capacidade, resultando em um total de 200 quilômetros de fibra instalada para atender órgãos municipais. Tudo isso será gerido por um NOC - Network Operation Center, também a ser implantado. Além dos sete POPs já existentes, mais cinco serão criados. Vinte câmeras domo serão instaladas em áreas urbanas ainda não contempladas com monitoramento. Alguns pontos de internet sem fio serão criados para atender áreas de difícil acesso. Novos hotspots iluminarão as praças com sinal wireless.
Telefonia VoIP também está nos planos − e será uma das vertentes principais do projeto. Estão previstos três ramais IP por unidade. Alguns PABX analógicos e faxes serão convertidos para utilizar a rede IP. A economia gerada com a utilização de telefonia IP nas unidades − especialmente nas ligações entre elas, que sairiam de graça − e o fato de se deixar de pagar mensalidades de internet à concessionária do serviço poderiam economizar cerca de R$ 450 mil mensais aos cofres públicos, estima o Departamento de Modernização Administrativa e Gestão da Tecnologia da Informação. Só com a transmissão de dados, a economia giraria em torno de R$ 150 mil a R$ 200 mil. "Orçamos o custo de implantação dessas melhorias em R$ 15 milhões. Com a economia gerada, isso se pagaria rapidamente, em três anos", diz Gomes.
A intenção é fazer uma licitação só para todas as atividades de ampliação. A parte técnica já está pronta e falta agora incluir isso no orçamento do município. Já se planeja incluir essa previsão no Plano Plurianual (PPA). Uma vez feita a licitação, o prazo de execução das melhorias seria de seis meses.
3COM é uma das fornecedoras de tecnologia do município
O conjunto de equipamentos exigido pelo projeto de Santos é complexo, e a 3COM é responsável por fornecer alguns deles. Foi o caso dos switches das linhas 5500 G, 3824 e 3226, que fazem parte das estruturas do anel de fibra ótica. Já a central de monitoramento utiliza switches 4500 e, em alguns pontos, o modelo 5500. O switch 8800 da 3Com, recém-adquirido, atende a expectativa de ampliações futuras no backbone. "Com um projeto extenso e bem articulado, Santos é definitivamente um case importante para a 3Com, no que se refere a novos serviços em Cidades Digitais", diz Job Borges, executivo de contas da 3Com. |
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Data: 26 de março de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar