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América do Sul planeja rede de conexão em dois anos
Proposta de criação de anel óptico no Cone Sul é aprovada por ministros da Comunicação reunidos em Brasília. Instituições de desenvolvimento internacionais prometem apoiar projeto, cujo objetivo é baixar custos de conexão
Em 2014, um anel óptico poderá interligar os países da América do Sul e, assim, aumentar a velocidade das trocas de informações entre essas nações e até mesmo reduzir o custo de acesso à internet. O projeto, surgido em reuniões da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) realizadas no fim de outubro, foi anunciado nos dias 29 e 30 de novembro em Brasília, durante reunião de ministros das Comunicações da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
“Será uma rede implementada e operada por agentes públicos e privados, que garantirá que o tráfego de todos os países seja escoado por meio dela”, resumiu o ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, em discurso.
Ainda segundo Bernardo, o projeto custará cerca de US$ 100 milhões e será executado ao longo de dois anos. A fonte dos recursos ainda não foi anunciada, mas os governos afirmaram que buscarão apoio de instituições internacionais de desenvolvimento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Corporação Andina de Fomento (CAF), além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Cepal ofereceu auxílio técnico ao projeto.
O anel diminuirá o percurso necessário para a circulação de dados entre os 12 países que compõem a Unasul. A atual distribuição de cabos de rede faz com que, em alguns casos, mesmo quando fronteiriços, dois países podem trocar informações através de cabos submarinos que dão a volta no continente. Segundo a Cepal, entre 75% e 85% do tráfego regional passa por Miami.
Isso implica no pagamento de tarifas de interconexão a empresas e governos estrangeiros, o que aumenta os custos. Ainda de acordo com a Cepal, as taxas de interconexão podem representar até 40% dos custos de conexão. Um provedor brasileiro pode pagar ao menos três vezes mais que um norte-americano para circular dados devido à configuração dos servidores e cabos pelo continente.
“Isso nos torna dependentes de poucos prestadores de serviço internacionais. E ainda é um fator limitante à soberania regional no que se refere à segurança das comunicações da região, uma vez que as informações não transitam apenas por nossos territórios”, acrescentou Paulo Bernardo.
O governo brasileiro defende a construção do anel óptico continental com pontos de troca de tráfego nos locais de fronteira para que as redes nacionais sejam aproveitadas. Também acredita ser necessária a conexão de mais cabos submarinos para ligar a região a outros continentes.
A interligação seria feita prioritariamente por empresas estatais de telecomunicações. Caso não haja companhias públicas operando no setor, como acontece no Chile, uma operadora deverá ser designada pelo governo local. "O que importa é que o anel seja uma rede neutra e cada um de nós possa trafegar por toda a sua extensão dentro do continente", completou Bernardo.
Os ministros também afirmaram a necessidade de fomentar a produção de conteúdo nacional e o provimento de meios de armazenamento local desses dados. Novamente, a intenção é diminuir as distâncias percorridas pelos dados a fim de aumentar velocidades de acesso e custos de conexão.
O anúncio do projeto do anel óptico é feito em paralelo ao lançamento de um estudo do BID que aponta a necessidade de aumentar a integração de infraestrutura de telecomunicações dos países da Unasul para incrementar os índices de inclusão digital. No entanto, a instituição de fomento internacional, ao contrário dos ministros, defende o estímulo ao capital privado para atingir esse objetivo.
“A América do Sul poderá acelerar o seu desenvolvimento econômico se conseguir expandir o acesso a serviços de banda larga por parte da população de baixa renda e das empresas, especialmente as pequenas e médias’’, afirmou Flora Painter, chefe da Divisão de Ciência e Tecnologia do BID, unidade responsável pelos estudos, no lançamento do estudo.
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Data: 06 de dezembro de 2011
Autor: Marcelo Medeiros, com informações do Ministério das Comunicações