Roca Sales a caminho da iluminação total da área rural
Com menos de 10 mil habitantes e localizada no Vale do Taquari, área central do Rio Grande do Sul, a pequena Roca Sales iniciou seu projeto de Cidade Digital em 2006 e, após pouco mais de um ano, ganhou projeção internacional: a chamada “cidade da amizade” foi a segunda colocada no IV Prêmio Ibero-americano de Cidades Digitais, na categoria Cidades Pequenas, concedido pela Asociación Iberoamericana de Centros de Investigación y Empresas de Telecomunicaciones (AHCIET), com sede na Espanha. Em primeiro lugar na mesma categoria ficou a cidade Pimampiro, no Equador.
A premiação foi entregue em junho do ano passado, na Argentina, e até hoje rende frutos para o projeto coordenado pelo vice-prefeito Gastão Gugel: “Quando ganhamos, havíamos investido somente U$ 15 mil e concorremos com municípios que citavam cifras de U$ 500 mil. O prêmio foi importante para mostrar que o projeto é bom e nos ajudar a buscar investimentos”, diz.
A idéia surgiu em 2005 e começou a ser implantada em 2006, com o apoio da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), por meio de sua área de Tecnologia e Informação. A empresa Superluc Informática forneceu o apoio tecnológico.
Atualmente, toda a zona urbana e 10% da zona rural dispõem de sinal sem fio, que chega através de uma única torre, instalada no centro da cidade. “Pelo nosso relevo, com uma torre conseguimos iluminar 100% da área urbana e 10% da área rural”, explica Gugel. Até o fim de 2008, prevê-se instalar cinco outras torres, para iluminar o restante da zona rural.
A cidade é iluminada com sinal sem fio, o que permitiu a interligação das seis secretarias municipais e demais departamentos, que têm acesso a um cadastro único de banco de dados. Um total de 42 computadores da administração direta está na rede.
Uma das cinco escolas públicas municipais já está conectada; até dezembro, mais duas estarão na rede. Antes do projeto, somente uma escola estadual e duas particulares dispunham de acesso à internet.
A cidade tem ainda um telecentro de acesso público e gratuito que fica aberto das 7h30 às 17h. Em breve o horário de funcionamento será estendido até 18h30, informa Gugel. Planeja-se levar o acesso direto à casa dos cidadãos. A única dúvida é como esta atividade vai se pagar.
A intenção é terminar de informatizar todos os processos e serviços municipais – protocolos, consulta de tributos, pedido de obras no interior, fiscalização, licitações, licenças necessárias – até o final deste ano.
“Medo do computador” ainda é barreira
Para utilizar estes serviços, antes inexistentes, o público está começando a se formar. Se em 2006, não havia nenhum ponto de acesso wireless no município, após o início do projeto o número passou para 80. “A nossa estimativa é, até o final de 2008, chegar a 400”, planeja Gugel. Outro plano é fazer o número de cidadãos com acesso à internet pular dos atuais 1 mil para 3 mil.
Segundo o vice-prefeito, alguns serviços já estão disponíveis, como retirada de certidões negativas. “Mas esses serviços não são ainda muito utilizados. Há uma barreira a ser quebrada, que é o 'medo do computador'. Nossa cidade [no que diz respeito à rede pública] ficou muito tempo à margem da tecnologia. Isso faz com que precisemos de uma reeducação do munícipe”, avalia Gugel.
Dentro deste esforço, todos os 254 funcionários municipais vêm sendo treinados para usar e-mail. Apesar de parecer uma atividade básica, quando o projeto começou apenas seis funcionários utilizavam correio eletrônico. Agora, já são 166.
Em breve, terão também de ser capacitados para fazer ligações através do computador, com a tecnologia VoIP, que, de acordo com Gugel, será implementada a partir de julho. “Estamos em negociação. Temos uma estimativa de que os custos da telefonia dos três principais pontos da rede municipal serão reduzidos em aproximadamente R$ 30 mil/ano”, adianta o vice-prefeito.
O projeto foi todo instalado com recursos da prefeitura e é preciso, agora, torná-lo sustentável. Principalmente se for colocado em prática o plano de levar internet à casa de todos os cidadãos. Uma das idéias que estão sendo consideradas é que, como a prefeitura não pode cobrar pelo serviço, a sociedade seja sensibilizada e passe a doar cestas básicas para as escolas e creches do município, diminuindo assim a despesa pública com merenda escolar.
Se der certo, o projeto terá grandes chances de êxito em outra das ações já planejadas: concorrer novamente ao Prêmio Ibero-americano de Cidades Digitais, no próximo ano, para tentar, dessa vez, o primeiro lugar.
Na quarta edição do prêmio, além de Roca Sales, Mossoró, no Rio Grande do Norte, conquistou o terceiro lugar na categoria Cidades Médias; e o Estado de Minas Gerais foi o primeiro colocado na categoria especial e-Inclusão.
Concorreram ao IV Prêmio Ibero-Americano de Cidades Digitais, 54 cidades de 10 países latino-americanos: Argentina (14), Bolivia (1), Brasil (8), Chile (3), Colombia (17), Costa Rica (1), Ecuador (2), Guatemala (1), México (6) e Uruguay (1). A premiação ocorreu durante o VIII Encontro Ibero-americano de Cidades Digitais, realizado em Mendoza, Argentina, de 13 a 15 de junho de 2007.
Roca Sales em números
População: 9.922 habitantes Área: 208,49 km² PIB anual: R$ 250.721.730,00 PIB per capita: R$ 25.269,00 (2007) Empregos: 30% em pequenas e médias empresas; 60% em grandes empresas Telefonia – linhas/100 hab: 20 linhas fixas; 30 linhas móveis Preço de conexão discada à internet: R$ 65 por ponto Preço de conexão ADSL (cabo) à internet: R$ 80 por ponto |
Fonte: IBGE e Prefeitura Municipal de Roca Sales
Data: 09 de maio de 2008