Experiências de sucesso
Em Porto Alegre, o objetivo é estar a serviço do cidadão
A trajetória da
Porto Alegre Digital tem dois momentos marcantes. O primeiro
foi a construção de sua própria infovia, uma extensa rede
de cabos de fibras ópticas. Isto pavimentou o caminho para
o segundo momento, um consistente projeto que possibilitou
torná-la a primeira capital brasileira a dispor de uma rede
pública municipal de conexão de banda larga sem fio. Para
alcançar a melhor eficiência em termos de desempenho e custos,
a Procempa, empresa de tecnologia de informação e comunicações
do município, adotou diferentes tecnologias.
A infovia, iniciada em 1999 e em constante evolução, possui
hoje mais de 320 quilômetros de extensão e constitui o backbone
da Procempa, ou seja, uma estrutura capaz de oferecer um conjunto
diversificado de serviços de comunicação para os diferentes
órgãos da administração pública e também para os cidadãos.
Por meio da infovia Procempa, a Prefeitura de Porto Alegre
interliga mais de 7.000 computadores e 2.500 impressoras,
e possui uma Rede Digital de Telefonia Municipal que integra
114 prédios públicos e 7.000 ramais.
As chamadas internas nos órgãos da administração pública passaram a ser gratuitas e as externas, a ter custos em média 70% menores que antes. Isto foi possível porque a Procempa centralizou todo o roteamento de entrada e saída com as operadoras externas, através da Central Trânsito, que atualmente conta com o serviço de oito operadoras. A Procempa tem hoje a licença de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) da Anatel.
A partir dessa infra-estrutura, e da certeza de sua viabilidade, a Procempa decidiu implementar uma rede metropolitana sem fio. Instalou 11 torres de rádio, utilizando a tecnologia ponto-a-multiponto com cobertura de até três quilômetros. A rede metropolitana abrange atualmente 342 localidades e até o final do ano irá interligar 350, entre as quais, as 92 escolas municipais e os 129 postos de saúde do município.
Palavra do prefeito
"A tecnologia tem forte atuação em todos os projetos da gestão no campo social, e é o grande motor das ações inovadoras que estamos implantando em Porto Alegre."
José Fogaça
A rede metropolitana
permitiu a Porto Alegre ser a primeira capital a oferecer
acesso sem fio à Internet em locais públicos, via hotspots
com tecnologia Wi-Fi. Possibilitou ainda a oferta de outros
serviços, entre eles, a televigilância, com a instalação de
câmeras de monitoramento em vários locais da cidade, e a transmissão
de programas diretamente da Câmara Municipal para a TV por
assinatura.
"Qualquer projeto
de cidade digital só faz sentido se trouxer resultados para
o cidadão", frisa André Imar Kulczynski, diretor-presidente
da Procempa e presidente da Associação Brasileira de Entidades
Municipais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abemtic).
O primeiro projeto piloto de banda larga sem fio foi pequeno, para fins de teste, no bairro da Ilha da Pintada, um arquipélago no centro da cidade, em que foram instalados sete pontos de rádio com tecnologia ponto-a-multiponto.
Comprovada a eficácia, partiu-se para uma iniciativa mais ousada, no bairro da Restinga, um dos mais populosos da capital, com mais de 100 mil habitantes, e localizado a 40 quilômetros da sede da Prefeitura.
Também foi instalada a tecnologia ponto-a-multiponto e, em alguns lugares, o acesso é complementado via tecnologia PLC, mediante parceria com a Companhia Estadual de Energia Elétrica de Porto Alegre (CEEE). Além da CEEE, foram parceiras no projeto a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o Serviço Nacional da Indústria (Senai).
Hoje, Restinga é um bairro digital. Conta com 2,5 quilômetros de fibra óptica local, 3,5 quilômetros de rede PLC, 24 órgãos municipais interligados entre si e à sede da Prefeitura, 50 ramais da Rede Digital de Telefonia Municipal e uso de VoIP, conexão à velocidade de 1 Mbps, hotspots públicos e câmera de vigilância. Os investimentos, segundo Kulczynski, foram recuperados em pouco tempo, principalmente devido à drástica redução dos custos de telefonia.
- Uso de redes de energia elétrica
O uso intensivo das redes de energia elétrica (PLCs) é uma das propostas para ampliar o alcance social da infra-estrutura digital. Já está em desenvolvimento um software para ser agregado a PLCs visando seu emprego na telemedicina, o que vai permitir aos postos de saúde ter acesso à análise de imagens feitas em hospitais, localizados às vezes a mais de 40 quilômetros de distância. Trata-se de um programa realizado em parceria com o Senai/RS e o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. Outras utilizações da rede PLC de Porto Alegre já propostas pela Procempa estão na educação à distância e na inclusão digital.
Mais informações sobre o projeto Porto Alegre Digital no site http://www.procempa.com.br
Novembro/2007
Crédito das fotos: Graciele Garcia
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