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Cidades Digitais: as oportunidades para o setor privado
Da mesma forma que prefeituras pioneiras se prepararam para o futuro ao implementar projetos de Cidades Digitais, empreendedores locais vêm ocupando um nicho importante e promissor neste tipo de iniciativa: são as empresas especializadas em planejar, montar e gerir projetos para municípios que querem se tornar digitais. Muitas vezes, elas são responsáveis não só pela execução do projeto que surge na prefeitura local, como também são elas próprias que levam a idéia a uma administração municipal.
É o caso de Macaé, cidade fluminense que experimentou crescimento vertiginoso nos anos recentes, impulsionada pela presença de uma base da Petrobras. Foi lá que a Jevin identificou a oportunidade de oferecer e gerenciar conexão em banda larga para interligar os órgãos da administração pública. "Percebendo a dificuldade da Prefeitura de Macaé em obter agilidade de informação, devido ao fato de suas secretarias serem descentralizadas, vimos uma grande oportunidade de oferecer um serviço que facilitaria e resolveria este problema. Isto ocorreu em 2005, e passamos a projetar a Cidade Digital de Macaé", conta Guilherme Cunha, 40 anos, um dos três sócios da Jevin.
Hoje, a empresa, que começou em 1988 fornecendo equipamentos elétricos na região, presta serviços de manutenção em todo o sistema da cidade de Macaé. "Na época da implantação, criamos um sistema que atendesse as secretarias municipais, porém, com facilidades de expansão. Atualmente, diversos órgãos estão interligados: institutos, secretarias, hospital, escolas, etc.", completa Cunha.
Administrador pós-graduado em estratégia de marketing, ele conta que a mudança no rumo da empresa deu-se quando ele e seus dois sócios - o engenheiro mecânico pós-graduado em Sistemas TI João Horácio Cunha, 62 anos, e o também administrador Evandro Cunha, 48 - decidiram torná-la uma revenda autorizada da Motorola. "Fornecíamos equipamentos de comunicação (rádios bidirecionais) para empresas prestadoras de serviços em plataformas de petróleo", relembra. Com o lançamento dos equipamentos wireless (sem fio)da fabricante, foi natural que passassem a trabalhar também com essa linha de produtos. Daí para identificarem a oportunidade de oferecer para a municipalidade, foi apenas questão de tempo.
Do mercado de ações para as Cidades Digitais
Trajetória nada semelhante tem a Alias Networks, responsável pela concretização da Foz Digital, na paranaense Foz do Iguaçu. Fundada há apenas dois anos, já se dedica há quase um ano e meio a projetos de redes wireless para municípios. "A Alias se formou tal como é hoje quando comprou as operações e ativos da Pathway IT Services, empresa com 10 anos de mercado e que atuava na áea de redes corporativas, porém com baixíssima representatividade em governos", explica Luiz Fernando Kasprik, da área comercial da empresa.
Quase todas as habilidades que a empresa vem aplicando no projeto de Foz Digital - que está em fase final de implementação de sua rede WiMax, cobrindo todo o território municipal - são oriundas da experiência no mercado financeiro: a empresa é formada por um grupo de investidores, e possui como representante executivo o administrador Fernando Weigert, 37 anos, também advindo do mercado financeiro. "É de lá que vem boa parte da estrutura direcional da empresa", confirma Kasprik.
Em pouco tempo atuando no ramo, a empresa rapidamente se dedicou a oferecer redes sem fio a prefeituras. "Começamos este trabalho há 14 meses, com investimentos fortes no entendimento desta vertical importantíssima de mercado", explica o representante da área comercial.
Tão logo venceu a licitação da Foz Digital, a Alias ajustou tecnicamente o projeto inicial. Em seguida, implementou as redes local e WiMax, a telefonia IP e toda a infra-estrutura de segurança de redes. O fato de este ser o primeiro projeto de interligação de uma cidade inteira apenas com WiMax não assustou a empresa, que viu a oportunidade de se especializar em algo que poucos dominavam. Agora, a Alias é responsável pela manutenção durante o período contratual.
Ao que tudo indica, o empreendedorismo da macaense Jevin e da curitibana Alias será recompensado. Ambas relatam já terem sido procuradas por outras administrações públicas para darem consultoria em iniciativas semelhantes. "Estamos prestes a anunciar oficialmente a próxima Cidade Digital com mais de 140 pontos de atendimento e cobertura", adianta Kasprik, fazendo mistério sobre qual é o município. "Temos vários projetos de cidades em andamento, diretamente com os municípios ou por meio de alguma parceria com órgãos dos governos estaduais e federal. Também estamos desenvolvendo um projeto no continente africano, que abrange praticamente todo o país em questão", informa Cunha, com o mesmo suspense.
Dezembro/2007
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