Artigos e Entrevistas
Um desafio a
ser superado
André
Imar Kulczynski

Divulgação
Distante da competitividade estabelecida
no setor privado, a gestão da Tecnologia da Informação
(TI) na administração pública é
hoje um dos principais desafios dos governantes. Os simples
saber escolher e saber usar devem ser concebidos como um processo
decisório em busca da qualidade de serviços
a serem oferecidos à população.
Se na década de 50, o desenvolvimento econômico
fez avançar o incipiente transporte rodoviário
no País, hoje, meio século depois, o caminho
do crescimento socioeconômico passa também pela
segurança e velocidade, proporcionadas pela TI. É
preciso que se entenda que a necessidade de inovação
do serviço público depende sim do bom uso das
soluções tecnológicas. A atuação
eficaz do Estado, atrelada a áreas tão sensíveis
como saúde e educação, está diretamente
ligada às orientações que devem chegar
ao administrador. Nesse sentido, indubitavelmente, a estratégia
no uso da informação passa a ter um maior valor
agregado, quando tratada como recurso pelo gestor.
Devidamente sensibilizado para as incontáveis vantagens
de adoção de redes públicas online de
comunicação – tão abrangentes e
eficazes quanto as próprias redes de água de
sua cidade –, o administrador encontra agora outro grande
desafio: O que utilizar, onde investir? Já ultrapassa
a casa dos 50% o déficit tecnológico nas prefeituras
do País. Fontes oficiais apontam que pouco mais de
dois mil municípios brasileiros possuem conexão
à Internet em banda larga. O uso híbrido de
tecnologias surge aí como alternativa de redução
deste déficit.
Porto Alegre, por exemplo, desponta no cenário nacional
com a maior rede de acesso à Internet pela corrente
elétrica, para fins de inclusão social. A tecnologia,
do inglês Power Line Communications (PLC), aparece como
uma das mais promissoras na promoção da inclusão
digital, uma vez que 95% das residências no Brasil dispõem
de energia elétrica. Também a rede de conexão
sem fio (wireless) pode se tornar alternativa eficaz e de
baixo custo para ampliar a conexão de banda larga nos
municípios brasileiros.
Entretanto, a velocidade verificada na oferta de serviços
e soluções na área tecnológica
perde o ritmo no setor público. Além da desinformação,
o gestor também conta com o impasse jurídico
na hora de implementar seus projetos. Se de um lado as redes
de conexão superam o tradicional alcance nas comunicações,
a ampliação das tecnologias esbarra no vácuo
legal existente.
Atuando em freqüências ainda não licenciadas,
são muitos os serviços criados pelas redes de
inclusão digital e social, cujas prefeituras continuam
à espera de soluções regulatórias.
Na prática, entretanto, verifica-se o empenho e a organização
dos gestores no cumprimento de seu maior dever, que é
o atendimento qualificado e transparente do seu principal
cliente: o cidadão brasileiro.
André
Imar Kulczynski é presidente
da Associação Brasileira de Entidades Municipais
de Tecnologia da Informação e Comunicação
(Abemtic)
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