Novos projetos
Rio quer ser o primeiro estado
plenamente digital
O Rio de Janeiro planeja ser o primeiro
estado digital do Brasil. Com esta finalidade, estrutura um
projeto que deverá estar pronto em meados de dezembro,
para levar conexão à internet em banda larga
a todos os seus 92 municípios.
O Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação
do Rio de Janeiro (Proderj) é o órgão
estadual à frente da iniciativa, e a figura jurídica
mais fortemente considerada para a realização
do projeto é a Parceria Público-Privada (PPP).
Porém, outras também estão sendo estudadas
por uma equipe jurídica contratada para assessorar
o Proderj na escolha. “Estão sendo avaliados
os pontos de vista técnico, jurídico e econômico-financeiro,
sendo a PPP uma das alternativas consideradas possíveis”,
explica Tereza Porto, presidenta do Proderj.
O projeto prevê três fases de implementação.
Na primeira, a ser concluída ainda em 2008, serão
montados e utilizados seis corredores digitais, ligando 35
municípios. Na segunda etapa, em 2009, dois novos corredores
serão criados, e 20 outras cidades receberão
a conexão em banda larga. A terceira e última
fase estaria implementada até 2010, agregando os municípios
restantes.
Tereza afirma que, além da conexão chegar a
novas escolas, hospitais e delegacias, “a população
irá dispor de um serviço de acesso básico
à Internet, com velocidade de 256 Kbps, a tarifas bastante
razoáveis, possivelmente inferiores a R$ 10”.
No entanto, a presidenta do Proderj reconhece que envolver
os indivíduos no projeto será o mais difícil.
“O grande desafio é conseguir a participação
da coletividade, fazer com que as pessoas realmente se apropriem
das novas tecnologias oferecidas, para criarem seus próprios
negócios, buscarem aprimoramento profissional e interagirem
mais com o governo”, analisa.
Atualmente já existem no estado algumas Cidades Digitais
implementadas – Piraí, a pioneira, Rio das Flores
e Mangaratiba. Em fase de implantação, estão
Conservatória, Paraty e Visconde de Mauá, todas
iniciadas em 2007. Rio Claro, São Gonçalo, Petrópolis,
Barra do Piraí e Valença encontram-se em fase
de projeto. Todas tiveram participação do governo
do estado na implantação. No caso de Piraí,
foi firmada parceria com a administração estadual
somente para a manutenção do projeto. O grupo
que desenvolveu Piraí Digital é responsável
também pela concepção dos projetos de
Rio das Flores e Conservatória.
Recentemente, o projeto estadual, que vinha sendo redigido
por um corpo de especialistas há alguns meses, esteve
prestes a sofrer mudanças em seu escopo, após
a Anatel ter firmado acordo com as empresas de telecomunicações
para trocar uma das metas de universalização
(acordadas em 1997) por uma nova: instalar backhauls, ou troncos
de infra-estrutura de rede, com banda larga em todos os municípios
brasileiros. No entanto, decidiu-se manter a linha originalmente
prevista, colocando mais foco sobre o estímulo a conteúdos
locais e a chamada última milha (a conexão entre
os backhauls, que chegam até a entrada da cidade, e
as casas e edifícios).
Sustentabilidade
A sustentabilidade dos modelos de cidades
e estados digitais é sempre um ponto delicado. Para
garanti-la, o Proderj estuda criar um fundo, que receberá
os recursos correspondentes ao que atualmente é gasto
pelo governo fluminense com a Infovia RJ, que atende aos seus
órgãos públicos e a sua própria
rede de telecomunicações. “A operação
da infra-estrutura poderá ser mantida pela receita
do estado e pela receita oriunda da exploração
comercial da rede para as municipalidades e os cidadãos”,
explica Tereza.
“No caso de ser verificada a viabilidade de implementação
de uma PPP, a existência de um fundo garantidor passa
a ser um atrativo a mais, pois ele assegura a receita auferida
com o governo do estado”, complementa a presidenta do
Proderj. O projeto prevê também a opção
do modelo de consórcio para o parceiro privado, e o
prazo de concessão pode ser de cinco a 35 anos.
Depois de pronto, o texto do projeto ficará em consulta
pública durante dois meses e, ao final deste prazo,
haverá uma audiência aberta para discuti-lo,
como determina a lei. Em seguida, poderão ser feitas
as licitações para a escolha dos fornecedores
de tecnologia (infra-estrutura e equipamentos) e também
de serviços. O Proderj planeja que essa etapa começe
em março de 2008.
Novembro/2007
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